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COVID-19: a impaciência pelo fim do isolamento social

Já é público e notório que o caso da infecção causada pela COVID-19 já foi politizado e já produziu extremos. Desde que os “cientistas” das redes sociais começaram a espalhar boatos sobre o uso de determinados medicamentos (que já falamos aqui) até os episódios envolvendo questões políticas, exacerbando o clima desde 2018 que, inclusive, culminaram com mudanças no Ministério da Saúde.

À parte de todas estas questões rolam discussões em diversos fóruns falando sobre os trechos discordantes das falas de autoridades de saúde e autoridades políticas acerca de quando ocorrerá o pico da doença no Brasil, e trazendo para uma situação nossa, mais particular, aqui no Piauí. Mas vamos entender um pouco sobre este pico e porque as datas às vezes não se verificam.

Em um outro texto falei sobre a necessidade de mantermos isolamento com a finalidade de achatar a curva. Esta curva indica o processo de avaliação matemática da quantidade de infectados e que necessitem de assistência médica, o que não pode acontecer de uma vez só porque nosso sistema de saúde não daria conta. Esta situação já se verifica em algumas capitais brasileiras como Manaus e Fortaleza, neste exato momento. O que quer dizer que nestes locais não houve tempo para achatar a curva e o pico de doentes extrapolou a capacidade das casas de saúde.

Estas previsões são feitas com base nas equações de regressão montadas a partir das principais variáveis, que levam em conta dados de outros locais. Isso porque o principal conjunto de dados para construção destas predições vem das informações sobre os testes feitos na população. Esta principal variável não temos com exatidão por aqui. Agora foi que vimos a imprensa noticiar que a Prefeitura de Teresina fará uma testagem amostral. Li que serão testadas 900 pessoas colhidas por critérios de amostragem em diferentes regiões da nossa Capital. Quando estes dados estiverem coletados teremos a primeira predição segura sobre a incidência da doença aqui em Teresina. A partir destes dados são feitas extrapolações que não são 100% seguras, mas dão um norte importante nas medidas a serem tomadas.

O pico da doença depende de muitas variáveis. Algumas destas variáveis já são as preconizadas pelos cientistas como o rigor do isolamento social, por exemplo. Os lugares que demoraram mais a impor medidas mais duras de isolamento atingiram o pico da doença primeiro. A demora em se verificar o pico nas cidades que precocemente suspenderam suas atividades poderia ser um bom sinal, se os dados sobre testes apontassem para um processo gradativo de contaminação. Entretanto, torna-se muito complicado até de estimar quando vamos chegar a este pico se a quantidade de pessoas testadas não avança, especialmente por termos pessoas que se contaminam e são completamente assintomáticas, outras que se contaminam e apresentam todos os sinais de uma gripe, como a causada pelo vírus Influenza, que embora também mate, mas tem uma letalidade menor.

Mesmo incomodado pela quarentena, tendo que trabalhar muito, só que usando outras ferramentas, ainda prefiro e recomendo que aguardemos as coisas melhorarem para tentarmos retornar à vida pré-isolamento. Nestes dias, em casa, minhas reflexões se ampliaram na valorização de coisas simples, como um passeio ao ar livre ou a uma simples visita de cortesia – medidas proibidas neste período. Entre uma leitura e outra percebo que pelo menos duas coisas sofrerão o impacto positivo depois que tudo passar: a ciência e a educação. Em outro texto ampliarei esta reflexão.

Boa semana para todos (as).