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A onda de ômicron

Lá no aparecimento da nova variante falamos sobre algumas diferenças entre a variante ômicron em relação às variantes anteriores (veja aqui). Parte do que dissemos se verificou: a ômicron com suas dezenas de mutações na proteína spike tem se mostrado de fato a mais infecciosa do que todas as variantes anteriores. Todavia, a ômicron é tão virulenta (ou até mais virulenta do que algumas variantes, como a gama, por exemplo) quanto as demais. E aí vem a pergunta: por que a ômicron tem matado menos do que as variantes anteriores?

Precisamos entender primeiro o efeito das mutações sob o ponto de vista do vírus. Para nós, uma nova variante significa um inimigo inicialmente desconhecido. Desconhecidos os seus efeitos pela ciência e principalmente pelo nosso sistema imunológico. Uma incógnita até iniciar a sua proliferação e os casos ficarem conhecidos dos cientistas. Do ponto de vista do vírus (estranho falar isso de um organismo como o vírus, né?!?), uma nova mutação é um leque de novas possibilidades de expansão e de proliferação do seu material genético. Assim, uma variante que seja mais infecciosa, consegue com mais êxito se espalhar e proliferar-se mais. Este é o ciclo de vida (embora para um ser que não tem vida... já falamos disso aqui.)

A ômicron é uma nova oportunidade que o SARS-CoV2 encontrou para se espalhar mais ainda. O fato de não estarem morrendo tantas pessoas e a maioria dos contaminados apresentar sintomas leves, está mais relacionado com o crescimento das taxas de vacinação do que com qualquer outra coisa. Sim. A vacina está amortizando os efeitos da contaminação pela estimulação de formação de anticorpos. Com anticorpos já presentes, seu organismo é menos afetado pela infecção e seu sistema imunológico consegue combater mais rapidamente a doença. Simples assim. Os não vacinados, os que não creem na ciência estão sendo internados e passando pelos mesmos problemas que passaram os doentes contaminados com as variantes anteriores. Este vírus tem ensinado muita coisa para humanidade.

É de suma importância que mais pessoas possam alcançar as vacinas, como no caso das crianças que, embora tenham sido menos afetadas até aqui, funcionam como vetores perigosos para pessoas mais suscetíveis. E as crianças, diferente dos adultos (ou pelo menos deveriam ser), são menos cuidadosas no uso com as máscaras e nas demais medidas de proteção contra os agentes da pandemia. A vacinação das crianças é imprescindível!

Viva a Vida! Viva a Ciência! Ciência Viva!

Boa semana para todos (as).