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"A tristeza dele era ver alguém triste", diz tio sobre o menino Caio Rodrigues

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Foto: Thiago Amaral/Cidadeverde.com

George Rodrigues, tio do pequeno Caio Rodrigues, que morreu na manhã do último domingo (14), após seis anos de luta contra a leucemia, falou ao Jornal do Piauí nessa segunda-feira (15) sobre o sobrinho. A imagem de Caio para todos que acompanharam sua trajetória era de muita força e alegria, apesar da doença. Segundo o tio, o menino somente ficava triste quando alguém próximo não estava bem. 

"A alegria dele contagiava as pessoas, com apenas um toque, um abraço. Ele contagiava apenas pela história. O Caio escondia a dor, nós chegamos a sofrer mais que ele, ele não demonstrava sofrimento, consolava a família, sempre alegre, divertido. Tristeza ele nunca sentiu, sempre foi muito alegre. A tristeza dele era ver alguem triste. Ee ele soubesse que a mãe ou o pai estavam sofrendo, ele ficava triste, mas sempre tinha uma palavra de carinho", lembrou George.  

Emocionado, ele lembrou os sonhos do menino, marcados pela simplicidade infantil e destacou a tendência do pequeno em minimizar o sofrimento que a doença lhe causava. 

"O Caio queria ir pra escola, era o que ele queria. A doença dele era o cateter, quando ele ficou sem o cateter, ele disse que estava curado. 'Agora já posso tomar banho de praia, de pisicina', ele dizia", falou o tio. 

Para o tio, a força dos pais de Caio, Lara e Leonardo Rodrigues, foram fundamentais para gerar toda a mobilização de ajuda em torno da história do menino. 

"No início nós não acreditávamos que isso seria possível, mas as coisas foram fluindo. As pessoas se sensibilizavam com as coisas que ele viveu. O pai e a mãe dele abdicaram de funções profissionais, estiveram ausentes na vida do Leozinho [irmão mais novo de Caio] para cuidar dele e foi uma luta que foi realmente dolorosa, mas a gente via as mensagens que encontravam força nos textos da mãe, nas atitudes do pai", disse.  

O tio deixou ainda uma mensagem aos que se sensibilizaram com a história de Caio ou que estejam passando por situações parecidas. 

"Depois de várias campanhas, durante seis anos, ela tinha uma palavra de força.. no momento que tinha falado c a lara... queriamos deixar uma msg.. "Nós estamos tristes, mas a tristeza vai ser passageira. O Caio não quer que a gente esteja triste. Temos que viver com os valores voltados para as coisas mais simples, sermos mais caridosos, mais humanos", destacou.

E finalizou: "A passagem do Caio, não só na minha vida mas de toda a família - porque nós temos ele como uma passagem pela vida humana - ele voltou a ser anjo. Tivemos a oportunidade e o privilegio de conviver com um anjo dentro de casa. O Caio fez a família ficar cada vez mais unida e onde ele passou, fazendo tratamentos na Europa e nos Estados Unidos, ele contagiou a todos", disse. 

 

Maria Romero 
redacao@cidadeverde.com

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