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Contador alega que cortou árvores de praça para acabar com "bandidagem"

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(Fotos: Roberta Aline/ Cidadeverde.com)

O Cidadeverde.com conversou com o responsável pela retirada ilegal de quase 20 árvores de uma praça do bairro Saci, na zona Sul de Teresina. O corte ilegal tem gerado revolta. Charles Ramos Menezes, 45 anos, é contador, tem cinco filhos e mora há cerca 40 anos no bairro. Ele disse que resolveu conversar com a imprensa, "porque não é criminoso e que vai provar que o que fez não foi crime"

"Embora eu seja o Robin Hood da história, o corte foi endossado verbalmente por todos os moradores da quadra. A ação não aconteceu na calada da noite, foi num domingo de manhã com todo mundo assistindo. Eu que contratei, eu era o principal, mas moradores estavam opinando", disse o contador. 

Ele frisa que o local "não é uma zona de terrorista de árvores" e chama o corte ilegal de poda. O contador justifica o corte das árvores devido ao aumento da criminalidade na praça. Segundo ele, usuários de drogas e álcool, além de criminosos, aproveitavam a sombra das árvores para se abrigar na praça. 

"No meu caso, a motivação foi a presença constante de vândalos, a incidência de raios nos galhos mais altos e o pior de tudo: a presença de criminosos que brigavam entre si. A praça não era mais utilizada pela comunidade, mas palco de drogados, pessoas que faziam necessidades fisiológicas no chão e até sexo. Tava a pior esculhambação", disse o morador. 

"Tive que abrir um escritório em outro lugar, porque os clientes estavam assombrados e não queriam vir para cá. Perdi quatro colaboradoras por conta de assalto. Foram enquadradas na parede do meu escritório por esse pessoal que ficava aí", completou.

Charles Ramos disse que a situação era a mesma há cinco anos e, apesar de requerimentos enviados à prefeitura de Teresina, as solicitações dos moradores nunca foram atendidas. 

"Quem tá do lado de fora pode ficar impactado. Sei que isso pode causar problema com o meio ambiente. Estamos atuando com advogados. O nosso objetivo era fazer com que o pessoal que usa drogas saísse daí e eles saíram. Funcionou. Não era pra ser dessa forma, mas tava intolerável. Ali era um conluio de bandidos, desocupados, vagabundos. A praça tinha virada morada. Tinha que acabar com sombra. Não conhecia outro jeito", disse Ramos. 

Ele alega que 75% das árvores cortadas estavam infestadas por cupins e as cortadas no tronco  "estavam inclinadas e iam cair de qualquer jeito". 

"Na delegacia, eu fiz um termo de compromisso para a revitalização da praça, descupinizando as árvores e solicitando a prefeitura que sempre mantenha as copas baixas". acrescenta.


ÁRVORES CRESCEM

Charles Ramos sustenta que a retirada das árvores teve como objetivo acabar com a "bandidagem" na praça e diz que "árvore cresce".

Árvores cortadas tinham quase 40 anos (Fotos: Roberta Aline/ Cidadeverde.com)

"O arrependimento que tenho é porque causa transtorno. Vi minha família muito preocupada. Eu, particulamente, tenho ciência do que está acontecendo. Sobretudo, consciência de que eu não destruí árvore", disse o contador. 

"Daqui a seis meses vocês vão se surpreender com a praça. Pra vocês verem se as árvores não vão florar. Pode contar da data de hoje. Esse é o meu desafio para ver se as árvores realmente foram destruídas", disse Charles Ramos acrescentando que a retirada se deu por motivo de força maior e em legítima defesa. 

"Eu vivia sendo ameaçado 24 horas por bandidos que ameaçavam minha integridade física e financeira ", disse Ramos.

Na manhã desta terça-feira (19), o contador prestou depoimento. Ele deve responder nas esferas penal, civil e administrativa. 

 

Graciane Sousa
gracianesousa@cidadeverde.com

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