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Perícia deve reconstituir acidente que matou arquiteto na Av. Raul Lopes

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Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

A perícia criminal deve fazer uma espécie de reconstituição do acidente que matou o arquiteto João Vitor Oliveira Campos, 23 anos, e deixou o primo Junno Pinheiro Campos, 37 anos, ferido no início da semana. O veículo em que os dois estavam colidiu violentamente em uma banca de revista embaixo da Ponte Estaiada, na zona Leste de Teresina. Tanto o carro como a banca tiveram perda total. 

O cálculo de velocidade das imagens foi utilizado para auxiliar a Polícia Civil em crimes de trânsito emblemáticos como o caso com integrantes do coletivo Salve Rainha, em 2016, e o da recepcionista que morreu atropelada na Avenida Frei Serafim, uma das principais vias de Teresina, em 2018. 

O perito Alexandre Citó, do setor de perícias audiovisuais do Instituto de Criminalística do Piauí, disse ao Cidadeverde.com que a reconstituição será para descobrir a velocidade em que o veículo trafegava na pista e dependerá da existência de imagens na via onde ocorreu o acidente. 

Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

"Dependendo da qualidade das imagens podem ser aplicados até três métodos para se chegar a um intervalo da velocidade em que o carro estava. A primeira etapa é a verificação das imagens para saber se são adequadas ou não e para o emprego de quais metodologias. Após isso, vamos ver quais distorções o vídeo pode apresentar. Daí será feita uma correção destas distorções para calcular a velocidade pelos metódos. Na sequência, vamos  para o local realizar os ensaios para validar esse cálculo de velocidade", explica o perito. 

Alexandre Citó esclarece que a reconstituição é chamada tecnicamente de ensaio controlado.

"O ensaio é como se fosse uma reconstituição. A diferença é que não precisa ser o mesmo carro, por exemplo. Serve para a gente verificar as distorções das imagens. O ensaio é feito passando no mesmo local, com um veículo com a velocidade que a gente conhece, coloca no piloto automático, fazemos o cálculo aplicando a metodologia e vê se o resultado converge. O resultado convergindo serve para validar que a metodologia que a gente está aplicando é correta e as correções foram feitas de forma adequada a eliminar o máximo de distorção possível", explica o perito que tem formação em Computação e Engenharia Civil. 

Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

Segundo ele, por meio do teste é possível aferir a velocidade aproximada em que o veículo estava no momento do acidente. 

"A gente faz o teste em várias velocidades, fazemos os cálculos com uma taxa de erro e apresentamos um intervalo de velocidade. Dá pra se ter uma estimativa bem precisa da velocidade do veículo que está passando no vídeo. Cabe ressaltar que tudo isso vai depender da qualidade das imagens, condições de iluminação, foco da câmera e do ângulo de captura das imagens", explica Citó. 

Foto: Valmir Macêdo/Cidadeverde.com

O cálculo de velocidade realizado pelos peritos pode descobrir a causa do acidente, bem como ser um agravante. A coordenadora do Instituto de Criminalística do Piauí, Julieta Castelo Branco Ismael, acrescenta que a perícia não age de ofício e aguarda a requisição da Delegacia de Repressão aos Crimes de Trânsito. 

"Após a perícia, o delegado que dá a interpretação e chega ou não a um acusado, a uma qualificadora. Com  cálculo de velocidade podemos saber se o veículo estava acima da velocidade  da via. Os peritos trabalham com base nos vestígios coletados", disse a perita. 

Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

Julieta Castelo Branco explica que, se o cálculo de velocidade ficar inviabilizado devido a ausência de imagens, a perícia de local de crime também pode aferir, aproximadamente, a quantos quilômetros por hora, o veículo trafegava na via. 

"Pelo choque na banca e o estado do carro pode-se chegar a uma velocidade mínima em que o carro estava. Nesse caso vai depender dos vestígios encontrados no local", complementa Alexandre Citó. 

 

O ACIDENTE

O arquiteto e o primo estavam em um veículo modelo Audi. O carro era conduzido por Junno Pinheiro que foi encaminhado ao hospital para atendimento médico. Já João Victor não resistiu aos ferimentos e veio a óbito no local.  O acidente teve grande repercussão, principalmente, pelo estado em que o carro ficou após colisão com uma banca de revistas embaixo da Ponte Estaiada.

 

Graciane Sousa
gracianesousa@cidadeverde.com

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