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"Estamos assistindo um extermínio de mulheres", alerta promotora Amparo Paz

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Foto: Hérlon Moraes

Teresina acordou neste domingo (29) com mais um caso de feminicídio. O crime foi praticado contra Vanessa Carvalho, quando ela e uma amiga – Anuxa Alencar - saiam de um casamento na zona Leste da capital. Vanessa morreu após ser atropelada pelo namorado da amiga, Pablo Henrique Campos Santos. O casal teria se desentendido após o suspeito ter ficado com ciúmes da companheira. Vanessa passou a ser a 13ª vítima de feminicídio só este ano no estado, segundo dados da Secretaria de Segurança. Para a promotora de justiça e coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar (Nupevid) do Ministério Público do Estado (MPE), Amparo Paz, a sociedade está assistindo um verdadeiro extermínio de mulheres.

“Estamos vivendo um extermínio de mulheres. Estamos assistindo um extermínio de mulheres. Daqui um tempo vai sobrar uma quantia pequena de mulheres, pois estão acabando com elas. Você assiste um programa nacional e vê a quantidade de mulheres morrendo todos os dias pelo simples fato de serem mulheres”, disse a promotora ao Cidadeverde.com.

Amparo Paz afirma que raramente um feminicídio ocorre numa primeira vez. Segundo ela, o crime sempre vem precedido de um histórico de violência. “Raramente o feminicídio ocorre numa primeira vez. Aquele homem já tem aquele machismo. É cultural esse machismo e ele vê aquela companheira como propriedade. Na mente machista ele acha que pode dispor daquela vida. Mulher não é propriedade. Agora o Estado só pode participar se tomar conhecimento”, alerta.

A promotora ressalta a importância da denúncia para evitar mortes. Ela também chama a atenção das autoridades para que as mulheres sejam ouvidas quando chegaram numa delegacia, por exemplo.

“Você chega numa delegacia e diz que foi roubado, vão acreditar em você. Se você diz que foi sequestrado acreditam em você, já a mulher fala e não acreditam na mulher. A palavra da mulher é constantemente deslegitimada. Que a palavra da mulher seja acreditada. No tocante ao crime sexual, esse então nem se fala”, afirma a promotora, que faz mais um alerta.

“A gente não deve jamais inibir a denúncia de uma mulher. É essencial, é crucial a denúncia. Só se combate o feminicídio com a denúncia. Muito se fala na questão do feminicidio, mas tudo começa na ameaça, no xingamento, na lesão corporal. A denúncia é que vai evitar a progressão da violência. As pessoas naturalizaram o xingamento, mas é violência moral”, ressalta.

Ao primeiro sinal de um relacionamento abusivo, a promotora é taxativa no conselho: se afastem e procurem auxilio. “Ao primeiro sinal de relacionamento abusivo, se afastem. A tendência é só piorar. Estamos de portas abertas para acolher essas mulheres. Que elas não fiquem inibidas. Muitas vezes elas denunciam e depois reconstroem o vínculo. Mesmo se acontecer de novo, novamente ela deve nos procurar. Estamos aqui para acolher quantas vezes for necessário. Aqui nós temos psicólogo para que essas mulheres procurem a rede. A rede de Teresina é extremamente competente. Temos as nossas deficiências, mas todos preocupados com as mulheres”, destaca.

Atualmente, cerca de 10 mil processos tramitam na 5ª Vara, responsável pelo juizado de violência doméstica em Teresina. “Procure uma delegacia de Polícia, Defensoria Pública, o próprio MP, o juizado de violência doméstica, além do número 180 ou através do aplicativo Salve Maria”, finaliza a promotora.

Hérlon Moraes
herlonmoraes@cidadeverde.com

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