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"É um turbilhão de emoções", afirma piauiense que foi vacinado nos EUA

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Fotos: Reprodução/Facebook

Natural de Teresina e morando em Nebraska, Estados Unidos, há 23 anos, o piauiense João de Brito realizou o sonho que muitos brasileiros estão contando as horas: o de receber a vacina contra a Covid-19. Criador do Balé da Cidade, João é artista e foi diretor do Teatro do Boi por 8 anos. A vacina chegou mais rápido ao teresinense de 54 anos por ele trabalhar com pessoas na área de saúde, considerado grupo prioritário.

Um vídeo postado em suas redes sociais mostra o momento da vacinação. O imunizante aplicado é o da Pfizer-Biontech. A segunda dose está prevista para 3 de fevereiro.

“Tomei a vacina na quarta por volta de 11h30. Não estou sentido nada, nem um efeito adverso. Na verdade, eu estou muito emocionado. Acho que fui o primeiro piauiense a tomar a vacina. É um turbilhão de emoções. De repente você passa a fazer parte de um grupo de indivíduos que está fora do risco de ser contaminado. É como se assinasse um contrato para continuar vivendo”, afirmou ao Cidadeverde.com.

João trabalha no departamento de saúde e recursos humanos dos Estados Unidos e atua diretamente com pessoas que possuem limitações intelectuais e físicas. “Tenho 20 anos nessa área. Por trabalhar como autônomo eu me qualifiquei para entrar no grupo de risco da primeira categoria, que é aquela que trabalha com pessoas vulneráveis, como os médicos, enfermeiros, maqueiros”, lembra.

O piauiense conta que cumpriu a quarentena e o medo maior era de contaminar o filho, que é especial. “A ansiedade aconteceu comigo. Eu tinha medo, pavor. Saía para o supermercado com luvas. Nós não sabíamos de verdade muitas informações sobre o vírus. Haviam dois medos: o de contrair e ficar enfermo e de contaminar meu filho, que cuido há 10 anos. Ele tem 26 anos com intelectualidade de um garoto de 1 ano. Eu faço tudo por ele. Eu tinha medo de contrair o vírus e passar pra ele”, declara.

Formado em Letras pela Universidade Estadual do Piauí (Uespi), João de Brito foi para os EUA fazer mestrado em literatura e não voltou mais. “Vim para fazer mestrado em literatura e quando cheguei mudei e fiz um mestrado na área de instrução tecnológica da educação. Me formei em 2002 e comecei um segundo mestrado na área de educação especial. Em 2004 me tornei residente americano e em 2009 consegui a cidadania americana”, conta.

Imunizado, João diz que agora faz parte de outra estatística. "Hoje eu faço parte de uma outra estatística, a de uma pessoa que pode não ser afetada por este vírus", comemora.

No dia em que o artista piauiense tomou a vacina, os EUA registram 4.327 óbitos por covid-19. O país é o mais afetado pela pandemia do novo coronavírus com mais de 380 mil mortes e quase 23 milhões de casos.

O ministro da Saúde do Brasil, Eduardo Pazuello, disse a prefeitos que a vacinação contra a Covid-19 começará na próxima quarta-feira (20), às 10h. O início da estratégia, no entanto, depende de aprovação das vacinas na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Hérlon Moraes
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