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Covid: pacientes em UTI são mais jovens com rápida piora, diz presidente da FMS

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O presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Gilberto Albuquerque, relatou que o perfil dos pacientes em tratamento da Covid-19 nos leitos de UTI (unidade de tratamento intensivo) também mudou. Agora, os pacientes são mais jovens, que apresentam piora nos sintomas mais rapidamente, além muitos levar mais tempo de recuperação. Gilberto Albuquerque é médico e membro do Comitê de Operação Emergencial Municipal (COE Municipal). 

Gilberto Albuquerque explica que esse tipo de paciente possui maior tempo de permanência nos leitos de UTI.  “Nós tivemos uma reunião do COE. Essa foi uma pauta muito discutida”.

“Os pacientes estão mais jovens, estão demorando bem mais e eles complicam mais rapidamente. Então, alguma coisa de diferente está acontecendo comparando ao ano anterior, que também tivemos o pico Covid. Esse ano está acometendo pessoas mais jovens. Elas complicam mais rápido e demoram muito mais tempo na recuperação”. 

Em entrevista ao Cidadeverde.com, o superintendente de Gestão da Rede de Média e Alta Complexidade da Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi), Alderico Tavares, destacou o aumento das interações de pessoas jovens e pacientes acima do peso nas UTIs, mudando o perfil das pessoas que precisam da rede hospitalar no estado. 

Leitos 

Atualmente, Teresina conta com 181 leitos Covid. Gilberto alerta que “nós temos o aumento progressivo de pacientes precisando de UTI”. O gestor cita que, na manhã desta quinta-feira (04), a FMS abriu cinco leitos no Hospital Universitário. 

“Deveremos abrir mais cinco leitos no Hospital do Dirceu, amanhã. Até o final de semana, existe uma grande probabilidade de a gente abrir mais 10 leitos no HUT (Hospital de Urgência de Teresina)”.

Teresina já registra 1.364 mortes e 62.958 casos confirmados da Covid-19, desde o início da pandemia em março de 2020. 

Lockdown

Gilberto Albuquerque esclarece que o COE oferece a situação técnica da pandemia. Não cabe ao COE a decisão sobre decretar ou não o fechamento das atividades econômicas. 

A abertura de leitos tem limites e não podem ser abertos eternamente, diz Gilberto Albuquerque. Os limites envolvem os equipamentos, os medicamentos e os equipamentos de proteção individual. No momento, a situação está limítrofe. 

“O COE oferece informações a respeito da situação anterior, do hoje e as alternativas que poderão vir. Essas que poderão ser tomadas podem evitar uma calamidade. Por exemplo: nós não podemos abrir leitos de UTI ‘ad eternum’ (eternamente)”. Existe limite de equipamento, existe limite de EPI, existe limite de medicamentos. No momento em que exaurir todas essas possibilidades, as autoridades avaliam a possibilidade de apertar mais as regras que permitem contaminação e espalhar essa doença de pessoa a pessoa”.

Foto: Zanone Fraissat/Folhapress


Greve na saúde

O presidente da FMS em entrevista ao Jornal do Piauí, nesta quinta-feira (04), também falou sobre a paralisação dos profissionais de saúde por questões salarias. O gestor conta que a paralisação não pode acontecer devido o tempo de pandemia.  “Juridicamente, nós estamos em um período de pandemia e, em período de pandemia, não podemos ter a paralisação dos serviços, principalmente nos serviços essenciais como é a saúde”. 

“Sabemos que a dificuldade principal é a financeira. O recurso para o tratamento especifico Covid foi suspenso em dezembro (pelo Ministério da Saúde). Então, isso precisa ser retomado. O Ministério da Saúde até agora não teve nenhum parecer de aportar recursos. Não tendo recursos, nós teremos que buscar alguma outra fonte que possa custear essas despesas”.

O departamento jurídico trabalha com as leis e as normas. “Nós temos que assegurar ao paciente toda a assistência que ele precisar”, diz Albuquerque. 


Carlienne Carpaso
[email protected] 

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