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Argentina repete Olimpíadas de Seul-1988 e toma o bronze do Brasil no vôlei

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Da expectativa de conquistar o ouro, a seleção brasileira de vôlei masculino deixa os Jogos de Tóquio na quarta colocação. O Brasil perdeu a decisão da medalha de bronze para a Argentina por 3 sets a 2 (23/25, 25/20, 25/20, 17/25 e 15/13), neste sábado (7), na Ariake Arena.

Foto - Gaspar Nóbrega/COB

É a pior campanha da seleção desde Sydney-2000, quando o time foi eliminado pela mesma Argentina nas quartas de final e terminou em sexto lugar. Já a Argentina conquistou a sua segunda medalha de bronze, ambas contra o Brasil.

Atual campeã olímpica, a seleção chegou em Tóquio como favorita na briga pelo bicampeonato olímpico, mas uma derrota para o Comitê Olímpico Russo, por 3 sets a 2, de virada, sepultou a possibilidade de chegar à sua quinta final consecutiva.

Nas quatro edições anteriores, a seleção levou o ouro no Rio, em 2016, e em Atenas-2004. Ficou com a prata em Londres-2012 e Pequim-2008.

Depois do primeiro título em Barcelona-1992, o time não conseguiu passar das quartas de final nas duas próximas edições. Em Atlanta-1996, a seleção ficou em 5º lugar e, em Sydney-2000, em sexto.

Neste sábado, Brasil e Argentina reeditaram na capital japonesa disputa pelo terceiro lugar dos Jogos de Seul-1988. Há 33 anos, Renan Dal Zotto, atual técnico da seleção, estava em quadra naquela derrota contra o time de Hugo Conte, pai de Facundo Conte, destaque da Argentina em Tóquio.

A partida começou equilibrada, com os times brigando ponto a ponto e, no primeiro set, foi Conte quem fez a diferença. O ponteiro, camisa 7, anotou nove pontos, inclusive o que decidiu a parcial por 25 a 23.

Atuação seguida de perto pelo pai, Hugo, que estava na cabine de imprensa comentando a partida para uma TV argentina.

A equipe brasileira conseguiu reagir no segundo set, com Douglas no lugar de Leal, e empatou a partida. No terceiro set, Lucarelli e Wallace apareceram bem no jogo e conduziram o Brasil à virada.

No quarto set, os argentinos exploraram o bloqueio e deixaram os brasileiros desorientados. O último ponto é emblemático: Lucarelli, no saque, mandou a bola para lateral e ainda na quadra da seleção.

A decisão foi para o tie-break, e os argentinos abriram 10 a 6, e os brasileiros foram buscar o empate: 12 a 12. Lucarelli mandou o saque para fora e, com dois bloqueios, os argentinos garantiram a vitória.

De volta ao Brasil, o técnico Renan Dal Zotto terá que conduzir um processo de renovação do elenco. Entre as importantes, o levantador e capitão Bruninho fará 38 anos às vésperas dos Jogos de Paris-2024, assim como o central Lucão.

O oposto Wallace completará 37. O central Maurício Souza e o ponteiro Leal terão 34 anos nas próximas Olimpíadas.

Essa foi a primeira experiência de Renan como técnico da seleção em Jogos Olímpicos. Como jogador, o ponteiro despontou em Los Angeles-1984, time apelidado de Geração de Prata e que deu ao Brasil a sua primeira medalha no vôlei.

Ele também esteve em Moscou-1980, além de atuar na derrota para Argentina em Seul-1988.

Estar em Tóquio, para o treinador da seleção, representou muito mais que uma medalha. Como disse ao jornal Folha de S.Paulo há um mês, Renan se viu morto, e foi por pouco que escapou de ser vítima fatal da Covid-19.

O treinador permaneceu 36 dias internado no hospital Samaritano Botafogo, no Rio de Janeiro, onde foi intubado duas vezes, contraiu pneumonia bacteriana e foi submetido a uma traqueostomia.

Quando correu risco de ter a perna esquerda amputada devido a uma trombose, ele respondeu bem a uma cirurgia vascular.

Internado no dia 16 de abril, deixou o hospital em 21 de maio e 20 quilos mais magro. No início do processo de recuperação, Renan conseguia andar, no máximo, 40 metros durante seis minutos em um dos testes físicos após sair do hospital.

Nesse período, Renan teve que se ausentar da preparação da seleção. Coube ao auxiliar Carlos Schwanke dirigir o time na conquista do inédito título da Liga das Nações, em junho, na Itália.

Com atuação consistente, a equipe verde-amarela derrotou a Polônia por 3 sets a 1 na final da competição. Foi o último torneio antes das Olímpiadas e o primeiro entre seleções depois de a temporada de 2020 ter sido suspensa por causa da pandemia de Covid-19.

O título em junho deste ano, nessas circunstâncias, confirmou ainda mais a impressão de favoritismo dos brasileiros. Porém, naquela competição, o Brasil já havia sido derrotado pelos russos, por 3 a 0, assim como em Tóquio na fase de grupos.

Para chegar ao Japão, Renan cumpriu uma rotina rigorosa de recuperação física, com até três sessões diárias de fisioterapia.

Em seu retorno, terá de ter forças para sobreviver à pressão. Afinal, é o primeiro técnico que não chega a uma final olímpica com a seleção depois da era Bernardinho.

Em 16 anos no cargo, o seu antecessor esteve à frente na conquista dos dois ouros (Atenas-2004 e Rio-2016) e das duas pratas (Pequim-2008 e Londres-2012), além de ter sido o levantador do Brasil na prata dos Jogos de Los Angeles-1984.

Em 2024, Bernardinho estará no comando da seleção da França, e Renan pretende escrever, em Paris, um capítulo de ouro como técnico.

A decisão da medalha de ouro será neste sábado, às 9h15 (de Brasília), entre França e Rússia.

Fonte: Folhapress

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