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Alianças competitivas no Nordeste são desafio para Doria e PSDB em 2022

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Foto: Governo de São Paulo

Após ser escolhido pelo PSDB como pré-candidato à Presidência, o governador de São Paulo, João Doria, vai intensificar nas próximas semanas as negociações em torno de apoios e alianças para as eleições de 2022.

Um dos focos de articulação será com aliados no Nordeste, onde o tucano precisa expandir o potencial de votos e de aliados com candidaturas competitivas para os governos estaduais.

Pesquisa Datafolha divulgada em setembro mostra que Doria tinha apenas 1% das intenções de voto no Nordeste. Juntos, os nove estados da região têm mais de 39 milhões de eleitores, mais de um quarto do total do país.

A primeira dor de cabeça para a campanha de Doria será montar palanques competitivos nos três principais estados da região em número de eleitores: Bahia, Ceará e Pernambuco.

Na Bahia, o PSDB deverá apoiar a candidatura a governador de ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, que quer derrubar 16 anos de hegemonia do PT no estado. No entanto, apesar de receber afagos dos tucanos em âmbito local, ACM tem arestas com João Doria.

Em maio, o ex-prefeito disse que Doria é "despreparado" para conduzir um projeto nacional de governo. A fala de ACM se deu em meio à insatisfação do DEM, partido do qual é presidente, com a articulação de Doria para filiar o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, ao PSDB.

Em outubro, ainda antes das prévias tucanas, ACM Neto disse que Doria quer ser candidato a presidente "a qualquer custo".

Interlocutores de ACM Neto, no entanto, afirmaram à reportagem reservadamente que o ex-prefeito soteropolitano poderá reatar pontes com Doria caso ele se viabilize como alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro no plano nacional.

O entorno de ACM Neto, porém, frisa que o gesto em prol do diálogo deve partir do governador paulista.

Em Pernambuco, o PSDB tem como pré-candidata ao governo Raquel Lyra, prefeita de Caruaru. Ela apoiou Eduardo Leite na votação interna da sigla, mas deu declarações de que agora estará ao lado de Doria.

Conforme o jornal Folha de S.Paulo revelou em novembro, Lyra estava mais propensa a ser candidata a governadora se Eduardo Leite fosse candidato a presidente, mas o governador gaúcho acabou derrotado nas prévias tucanas.

A tucana avaliava que o gaúcho seria a novidade na campanha eleitoral e poderia ajudar na transferência de votos no pleito pernambucano, que deverá ser duro para a oposição, que tem como objetivo tomar o poder após quatro governos seguidos do PSB.

Apesar disso, Raquel tem dito a aliados que está animada com a possibilidade de disputar o Executivo estadual. O problema pode ser uma aliança com o PL, partido de Bolsonaro e comandado em Pernambuco pelo prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira.

Caso a cúpula do PL vete apoio à candidata do PSDB em Pernambuco, similar ao que ocorreu em São Paulo, a chapa de Lyra ficaria fragilizada, pois ela, além do partido de Bolsonaro, tem aliança com Cidadania e PSC, legendas com menores tempos de propaganda na televisão e em número de prefeitos.

No Ceará, o PSDB é comandado pelo grupo do senador licenciado Tasso Jereissati, que se afastou do mandato em Brasília para, entre outros, ajudar Leite nas prévias. Como o gaúcho perdeu, Doria terá que refazer pontes com o cearense.

Apesar de ter governado o Ceará em quatro ocasiões, o PSDB foi empurrado para a oposição em 2006 e não saiu de lá desde então.

Além disso, a eleição estadual está polarizada entre Roberto Cláudio (PDT), aliado de Ciro Gomes, e o deputado federal Capitão Wagner (Pros), defensor de Bolsonaro, o que dificulta a formação de um palanque competitivo para votar em Doria.

Em contraponto à tendência de dificuldade na formação de palanques aliados nos maiores colégios eleitorais do Nordeste, Doria deverá ter membros do PSDB como candidatos a governador no Piauí, no Maranhão e em Alagoas.

O vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSDB), é o nome favorito do governador Flávio Dino (PSB) para a sucessão local.
Apesar de ter ligação com Lula, Dino quer demonstrar lealdade a Brandão, por ter sido um dos primeiros a apoiá-lo na disputa de 2014, quando, juntos, venceram o grupo ligado à família Sarney.

Com Brandão candidato, Doria deverá ter mais musculatura política para percorrer as ruas de São Luís e do interior do estado.

Cenário similar deve ocorrer em Alagoas, onde o senador Rodrigo Cunha é o provável candidato do PSDB a governador. Tucanos do estado afirmaram à reportagem que não descartam a possibilidade do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PSB), apoiar Doria na disputa nacional.

JHC, como é conhecido, é resistente à possibilidade que se avizinha da legenda socialista apoiar o ex-presidente Lula (PT) e pode se contrapor ao próprio partido apoiando um nome da terceira via, que poderá ser o governador de São Paulo.

No Piauí, o pré-candidato do PSDB a governador do estado é o ex-prefeito de Teresina Silvio Mendes. Mas o obstáculo para Doria ter um grupo com protagonismo ao seu lado no estado pode se esbarrar no próprio Mendes.

Isso porque, em entrevista à imprensa local, Mendes não descartou a possibilidade de deixar o PSDB e ir para o PP, que é liderado por Ciro Nogueira no Piauí.

O ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, inclusive, já fez acenos ao ex-prefeito de Teresina e disse publicamente, em julho, que Mendes foi "um dos maiores amigos que ele já fez na política".

O deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) defende que a legenda apoie no estado o ex-prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues (PSD).

Nos bastidores, o nome do parlamentar tem ganhado força para a disputa pelo governo da Paraíba, sobretudo após Romero flertar com o grupo do governador João Azevêdo (Cidadania), que tentará a reeleição e deverá apoiar Lula.

Apesar do favoritismo de Azevêdo para a reeleição, o PSDB nacional avalia que Pedro Cunha Lima tem potencial de votos, sobretudo perante o eleitorado jovem. Essa característica poderá, acreditam os tucanos, ajudar João Doria a conquistar eleitores paraibanos.

Folhapress

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