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Deputados dos EUA cobram mais investigações sobre mortes de Bruno e Dom e criticam Bolsonaro

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Foto: Arquivo Pessoal

Dom Phillips e  Bruno Pereira

Mais de 20 deputados dos EUA assinaram uma carta destinada ao secretário de Estado, Antony Blinken, na qual pedem providências extras em relação ao caso das mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, além de mais ações do governo americano em relação à proteção da Amazônia. O documento também traz críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

A carta foi proposta pelos democratas Raúl Grijalva e Susan Wild e endossada por outros 21 membros do partido, incluindo as deputadas Alexandria Ocasio-Cortez e Barbara Lee –a Câmara tem, ao todo, 435 parlamentares. O documento, obtido pelo jornal Folha de S.Paulo, tem a data desta terça (19) e lista cinco demandas.

A primeira exige que a Casa Branca peça publicamente que todos os envolvidos no crime sejam indiciados e que seja realizada uma investigação ampla, que atinja também possíveis mandantes dos assassinatos.

Os parlamentares também pedem que autoridades americanas conversem com líderes indígenas locais e enviem uma delegação de alto nível ao Vale do Javari, onde eles foram mortos, para conhecer melhor as condições da região e formular um conjunto de políticas para ajudar na segurança dos moradores da área.

O documento defende ainda que os EUA assumam um compromisso de longo prazo com a segurança dos indígenas e da região e, para tal, criem parcerias com outros governos, especialistas e organizações internacionais, como a ONU e a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos).

Bruno e Dom foram assassinados em junho. A dupla viajava no sudoeste do estado do Amazonas e visitava comunidades na vizinhança da Terra Indígena Vale do Javari, que abriga o maior número de povos isolados na floresta amazônica. A carta lembra que as mortes deles não foram um caso isolado e que ao menos outros 317 ativistas ambientais foram assassinados no Brasil desde 2012, segundo a Global Witness, o que faz do país um dos mais perigosos do mundo para defensores do ambiente.

"As ameaças contra indígenas, quilombolas e outros 'guardiões da floresta' têm atingido proporções desastrosas sob o regime do presidente Jair Bolsonaro", afirma a missiva. "Outros indicadores ambientais estão piorando, como os crescentes números relacionados ao desmatamento e a incêndios, não só na Amazônia mas também em outros ecossistemas chave, como o cerrado e o Pantanal. A impunidade é um lema dos assassinatos na Amazônia, e, pelo futuro da Amazônia, este caso não pode ser esquecido."

O deputado Grijalva, ao comentar a carta, reforçou as críticas ao governo brasileiro, dizendo que "o regime de Bolsonaro tem enfraquecido as proteções ao ambiente e aos indígenas por lucros corporativos". "Biden e Blinken devem usar todo o peso da diplomacia para refletir nosso compromisso com os direitos humanos, responsabilizar violadores dos direitos humanos e proteger os recursos naturais do planeta."

Wild, outra signatária, defende que o governo Biden "aproveite esse momento trágico para criar uma agenda robusta de engajamento dos EUA com o Brasil, focada em conter o desmatamento e proteger os direitos dos povos indígenas". "Esse tipo de agenda é urgentemente necessário, não só para o Brasil mas para todo o planeta, dado o papel indispensável da Amazônia no combate às mudanças climáticas".

Para Andrew Miller, diretor de advocacy da Amazon Watch, uma das entidades que buscam convencer o governo americano a reforçar a atuação para proteger a Amazônia, "o governo Biden deve se mover da retórica para a ação concreta". Além do trabalho nos bastidores, o Departamento de Estado deve fazer declarações públicas para avisar ao mundo que a proteção de ativistas locais é uma prioridade real."

Na semana passada, Eliesio Marubo, advogado da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), esteve em Washington e se reuniu com deputados e senadores dos EUA. Ele disse aos parlamentares americanos que o governo brasileiro precisa fazer mais para proteger a região da Amazônia, evitar novos casos de assassinato como o de Dom e Bruno e descobrir quem foram os mandantes do crime.

Desde 2021, houve ao menos sete cartas e comunicados de congressistas dos EUA pedindo ações da Casa Branca em relação ao Brasil. Em uma delas, de dezembro, oito senadores pediram a Biden que houvesse uma clara reconfiguração ("clear reset") da relação entre os dois países", por ataques de Bolsonaro à democracia, aos direitos humanos e à proteção ambiental no Brasil.

Apesar da pressão, Biden se aproximou de Bolsonaro neste ano. Em junho, ambos os presidentes tiveram seu primeiro encontro presencial, durante a Cúpula das Américas, em Los Angeles.

 

Fonte:  Folhapress (Rafael Balago) 

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