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Neuropediatra alerta sobre graves sequelas deixadas pela microcefalia

A neuropediatra Juliana Pádua fez orientações e alertou para os danos deixados pela microcefalia, má formação congênica causada pelo zika vírus. Em entrevista ao Jornal do Piauí dessa sexta-feira (4), a médica esclareceu que os problemas causados serão permanentes e têm consequências graves para o desenvolvimento da criança, que precisará de acompanhamento por toda a vida. 

"As crianças com microcefalia não se desenvolvem bem, seja ela causada por algum problema infeccioso, como o zika, seja por abuso de álcool ou droga pela gestante. Tudo isso pode alterar o desenvolvimento cerebral, especialmente quando isso acontece até os quatro meses de gestação", declarou. 

Quanto à detecção precoce da má formação, Juliana destacou que é importante para que a família da criança se programe para os encaminhamentos especiais que a criança precisará. Ainda assim, ela alertou que a maioria das crianças com microcefalia não conseguirá andar, falar e poderá ter crises epilépticas. 

"Os primeiros ultrassons normalmente não detectam, somente entre 32 e 35 semanas de gestação. E isso não diminui as consequências da doença, mas indica cedo que a criança terá que ter encaminhamento e cuidado especificos, facilita para que tenha atendimento especializado. Com microcefalia, a grande maioria vai ter consequências graves de desenvolvimento, não vai conseguir sentar, não terá o sustento cefálico, não vai andar, algumas nem chegarão a fazer isso, 40% tem crises epilépticas, atrasos de linguagem e algumas não vão falar, as consequências são terriveis". 

A neuropediatra completa, destacando que a criança com a má formação precisará de sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e demais acompanhamentos de estimulação precoce, além de tratamento para as crises epilépticas. A família, muitas vezes, também precisará de suporte psicológico. 

Ela aconselhou que as mulheres grávidas - ou que estejam pensando em ter filhos - busquem acompanhamento independente dos riscos com o zika. Contudo, ela alertou que a epidemia do vírus deixa a gestação ainda mais susceptível.

"Cada mulher tem que saber os riscos que estão envolvidos em toda gravidez. Toda mulher, quando decide engravidar, sabe de riscos e cuidados, toda gestação existe risco por exemplo com a chance de ter rubéola, toxoplasmose, já tem que evitar algumas coisas. Agora vai ter que ter mais esse cuidado com mosquitos, focos de larvas [do Aedes aegypti]. Para as grávidas, sugiro o uso do repelente conforme orientação do obstetra e roupas que cubram mais o corpo", disse. 

 

Maria Romero
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