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Pesquisadores alertam sobre riscos do chá do pinhão roxo

Os pesquisadores que descobriram no pinhão roxo a propriedade larvicida capaz de matar as larvas do mosquito Aedes aegypti alertam para o perigo do uso indiscriminado da planta dentro de casa. Segundo a professora da Uespi Francielle Martins, doutora em genética e melhoramento de plantas, ainda não está concluído o estudo que verifica a toxidade do pinhão roxo para o meio ambiente, inclusive para os seres humanos.

“Do mesmo jeito que é tóxico para o mosquito, pode ser para a gente. Precisamos aprofundar os estudos, buscar uma dose que seja nociva o suficiente para matar a larva, mas que não seja tóxica para o meio ambiente”, esclarece Francielle, que juntamente com o estudante Rafael Silva, comandaram a pesquisa, que é pioneira no país. 

Entenda a pesquisa

Eles coletaram ovos do mosquito e amostras das plantas Jatrophamolíssima (pinhão-bravo), Jatrophacurcas(pinhão-manso) e Jatrophagossypiifolia (pinhão-roxo) – essa última é facilmente encontrada em Teresina. Das plantas, eles extraíram o óleo das sementes, o látex e o chá das folhas. “Verificamos que, depois de analisar essas larvas frente a diferentes concentrações de cada um desses materiais, o chá feito das folhas do pinhão roxo foi o mais tóxico. Esse foi o mesmo resultado visto no nossa ‘solução-mãe’, na qual colocamos a concentração do larvicida Diflubenzuron, utilizado pela prefeitura”, explica a cientista. 

Segundo os pesquisadores, o chá que obteve o melhor resultado foi feito da forma mais comum possível – a folha foi seca, triturada no liquidificador, de onde surgiu o pó. Depois, a água foi fervida com uma concentração de 100mg do pó por mililitro de água. Após esse procedimento, o chá foi abafado, agitado por 5 minutos e deixado na geladeira por 48 horas, quando então foi colocado em todos os locais possíveis de acumular água – uma forma caseira e simples de prevenir a proliferação do mosquito, mas que ainda está sendo estudada. 

Em entrevista ao Jornal do Piauí desta sexta-feira (5), Francielle e Rafael afirmaram que também estão analisando as plantas pinhão bravo e pinhão manso. "Tínhamos uma preocupação grande e não poderíamos ficar parados diante dos riscos que o mosquito traz", completou a pesquisadora.

Jordana Cury
jordanacury@cidadeverde.com