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"Só conseguiremos erradicar a zika com saneamento", diz presidente da Funasa

No Dia D de Mobilização Contra o Aedes Aegypti, o presidente da Fundação Nacional de Saúde, Henrique Pires, faz um alerta para a importância de se implementarem ações definitivas e concretas contra a proliferação do mosquito, vetor responsável por mais de 20 doenças, principalmente dengue, chikungunya e zika, este último apontado como causador da microcefalia em bebês. 

O presidente Henrique Pires destaca que somente com obras de saneamento básico o país poderá erradicar esses vírus que tem causado tanta preocupação tanto nas administrações federal, estaduais e municipais, como na comunidade científica. "E só poderemos erradicar a zika com saneamento, com água regular, com tratamento de esgoto, com coleta e destinação final de resíduos sólidos e com drenagem. Em países como a Argentina, como o Chile, onde você tem um alto índice de implantação e tratamento de esgoto, cobertura de abastecimento de água e esgoto não existe esse problema. Claro que lá o clima ajuda também. Mas se você não combate a origem, você tem ações paliativas, como o repelente, o fumacê. Antigamente só se falava em dengue. Ele evoluiu e passou a carregar a chikungunya, e depois a zika. Então, a nossa forma de combater está equivocada. O que o deve haver é uma mobilização geral entre o Governo Federal, os governos estaduais, os municípios e a população. Não existirá campanha nenhuma que dê resultado se não tiver a população junto", afirma.

O Governo Federal, segundo Henrique Pires, tem feito grandes investimentos nessa área e a Funasa está trabalhando tanto em planejamento como em obras, principalmente nas regiões rurais, onde o acesso aos serviços básicos ainda é precário. 

"A Funasa tem consciência, o ministro Marcelo Castro e a presidente Dilma, que foi a presidente que mais investiu no setor de saneamento em toda história, não vai haver erradicação do Aedes se não unirmos ações de todos os envolvidos. A Funasa voltou a fazer projetos. Temos um banco com mais de 2 mil projetos não só aqui no Nordeste, mas especialmente aqui no Piauí temos um banco de mais de 150 projetos de saneamento. Estamos deixando cidades como Bom Jesus e Água Branca com 100% de cobertura de esgoto. A Codevasf está fazendo toda calha do rio Parnaíba. Então, isso é ação preventiva. A Organização Mundial de Saúde é taxativa: cada valor que você investe em saneamento você economiza quatro vezes com saúde", explica.

A população, de certa forma, se acostumou com a presença da dengue e relaxou na vigilância. Principalmente no Nordeste, aonde a estiagem castiga, as famílias costumam reservar água para uso cotidiano, na cozinha, no banho, para matar a sede dos animais. E levantamentos mostram que 85% dos criadouros do Aedes estão justamente nesse tipo de recipiente. Soma-se a isso as perdas de água nas grandes cidades, o que também obriga a população a estocar a pouca água que chega. 

"Isso só exemplifica o quanto obras de saneamento são a solução para o problema. A Funasa está empenhada nessa tarefa, nessa guerra contra o mosquito. Estamos levantando a bandeira do saneamento para melhorar a qualidade de vida da população. A própria Organização Mundial de Saúde preconiza que para cada real gasto em saneamento são poupados quatro vezes mais nos gastos com saúde. Essa é a bandeira da Funasa", finaliza.

Da Redação
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