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Comandante da PM defende corporação e diz que é preciso "cortar da própria carne"

O comandante geral da Polícia Militar, coronel Lindomar Castilho, defendeu a corporação e afirmou que a agressão a um preso por policiais militares, no município de Piripiri, não condiz com a realidade do dia a dia do policiamento ostensivo. Ele falou ainda que o momento é de "cortar da própria carne" e que a Polícia Militar continuará o seu trabalho de proteger a sociedade, agindo corretamente dentro dos limites legais. 

"Essa não é a realidade do dia a dia da corporação. Infelizmente, eles erraram. Essa ocorrência poderia ter um resultado diferente, mas acabou tomando outro caminho. Os policiais erraram gravemente e agora nos cabe corrigir", disse o comandante.

Castilho disse que diante da gravidade, uma punição administrativa disciplinar ocorreu contra os policiais. "Determinei a prisão deles, que o corregedor entrasse em contato com o comandante (do batalhão de Piripiri). Eles foram presos ainda ontem. Já fizemos todos os caminhamentos. Afastamos, prendemos  e instalamos o procedimento de inquérito policial militar. Tudo o que cabe à Polícia Militar está sendo feito", disse.

"Isso não nos agrada. Isso nos machuca, mas o que nos cabe agora é cortar da própria carne para poder colocar sempre a instituição aquém de qualquer comentário e fazer sempre o que for correto por parte da instituição. Nós temos uma grande história, são 200 anos defendendo a sociedade e vamos continuar fazendo". 

O comandante também destacou que alguns policiais a depender da ocorrência acabam se envolvendo com a situação, o que não é recomendável, por isso, precisa ficar atento aos limites para uma boa condução técnica e operacional. Lindomar explicou que, por exemplo, nesse caso em Piripiri, os policiais agiram corretamente durante toda a ocorrência: identificando e prendendo o suspeito, além de recuperar as motos roubadas. O procedimento padrão é prender, lavrar o flagrante e apresentar a autoridade cabível. 

"Às vezes, o policial comete o deslize de não ter a capacidade técnica de conduzir bem a ocorrência. Talvez, ele tenha se envolvido em algum relato da vítima. Muitas vezes chegam na ocorrência (e escutam): 'olha essa pessoa já me roubou 20 vezes'. Aquilo vai martelando na cabeça do policial", declarou. 

Castilho defendeu ainda que a missão da policial militar é proteger, independente de quem quer que seja, e adotar os procedimentos corretos e legais. Ele afirmou que a polícia não pode ser rotulada por episódios como esse porque os policiais colocam a vida em risco à favor da sociedade.  "Quero dizer aos policiais que nos assistem agora, que nós temos uma missão de trabalhar em prol da sociedade e vamos fazer o encaminhamento correto das ocorrências". 


Foto: Carlienne Carpaso/Cidadeverde.com

Sobre a ocorrência

O coronel soube do caso na noite de ontem (10). "Recebi a ligação de um oficial, informando sobre o vídeo, que estava viralizando no Piauí. Me repassou o vídeo, de imediato passei para o corregedor para apurar se os policiais era de alguma das nossas unidades, e se era recente. Me retornaram em seguida falando que os policiais eram de Piripiri e o vídeo do dia anterior (09)", relatou Castilho, em entrevista ao Jornal do Piauí nesta quinta (11).

Sobre a ocorrência envolvendo o preso (que sofreu as agressões), o coronel Lindomar destacou que ocorreu no final da tarde da última terça em Piripiri. O batalhão recebeu o registro de roubo de duas motocicletas e os policiais saíram em diligência com as vítimas. A pessoa suspeita de praticar o furto é conhecida na cidade por praticar crimes. 

"Rapidamente chegaram a autoria. Identificaram, localizaram e recuperaram as motocicletas. Levaram vítima, acusado, motos para o distrito. Era só lavrar o flagrante. Já estava fechando a ocorrência, quando houve toda essa situação exibida (no vídeo). A própria vítima que estava no local da ocorrência para prestar depoimento fez o registro, e está hoje viralizando", explicou Castilho. 
 
Carlienne Carpaso
carliene@cidadeverde.com