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“Ameaças e perseguições eram constantes”, diz secretária sobre execução do marido

A viúva do empresário assassinado na frente das filhas na semana passada, em São Raimundo Nonato, afirmou que a família estava recebendo ameaças e sendo perseguida. Em entrevista ao Notícia da Manhã, Valdênia Assis Costa, que é secretária de Assistência Social do município, disse que apesar de temer, João Rodrigues Neto Dias não acreditava que seria morto.

Segundo as investigações, o crime foi cometido por vingança a mando dos filhos de um homem que morreu após um acidente no último mês de junho. Os mandantes acreditavam que João Paulo seria o responsável pela morte, versão que foi descartada após as investigações na epóca do fato. 

Desde o acidente, a família  do empresário começou a receber ameaças. 

“Essas ameaças chegavam para a gente na forma de falatórios. Outras pessoas ouviam e falavam para a gente ter cuidado, que eles estavam falando que iriam fazer, que não aceitavam a forma como o pai deles tinha sido morto. Eu cheguei a receber mensagens no meu WhatsApp e no meu Instagram, sobre a gente ter sentimentos sobre a morte do pai deles e foram vários episódios que a gente recebia essas notícias, não diretamente. Diante disso, depois do acidente, a gente não teve mais paz, foram três meses de perseguição na verdade, a gente não podia mais sair de casa. As ameaças e perseguições eram constantes e a gente já não saia bastante porque a gente se senti ameaçado, por chegar a informação que eles estavam em busca do meu esposo”, destacou a viúva, ao ressaltar que ainda teme que as ameaças contra a família continuem. 

Valdênia disse ainda que mesmo com as ameaças, o marido não acreditava que seria morto “Eu recebi duas informações bem reais que eles iriam fazer e eu chegava em casa e dizia: ‘João, eles estão dizendo que vão fazer’. E o meu esposo tentando me acalmar, dizia que não tinha culpa e que eles não iriam fazer. Eles avisaram e fizeram”, lamentou.

Valdênia Assis disse o marido nunca comentou sobre ameaças, mas lembrou que ele estava 'muito angustiado' antes do crime acontecer. “Ele nunca falou se recebeu ameaça diretamente, ele ouvia outras pessoas falando, mas eu creio que ele estava recebendo, porque eu refleti desde que [o crime] aconteceu, e não tenho dúvidas que estava recebendo e ele estava angustiado nos últimos dias, ele só queria proteger a família”, afirmou.

 

 

Os filhos de Pedro Pereira são suspeitos de serem os mandantes no assassinato de João Rodrigues. Eles teriam contratado Juniel Assis Paes Landim, por R$ 5 mil, mas teriam pago apenas R$ 1,5 mil, para João fosse morto na frente das filhas. O motivo era vingança pela morte do pai.

Em junho deste ano, o pai dos suspeitos colidiu sua motocicleta em uma vaca. João Rodrigues que vinha em um carro atrás da motocicleta, acabou colidindo também no animal e passou por cima de Pedro. Um dos filhos de Pedro presenciou tudo, pois estava vindo logo atrás em outro carro. 

Uma investigação foi realizada e apontou que João Rodrigues não teve culpa e que Pedro morreu com o impacto da colisão da motocicleta com o animal. “Ele vinha na BR quando o senhor Pedro colidiu em uma vaca. Quando ele colidiu, e está no processo, ele já caiu sem vida. Meu esposo vinha atrás no carro dele, e ele também colidiu em outro animal e passou por cima do seu Pedro, pois não tinha para onde ele sair, era escuro, de noite. Um filho do seu Pedro vinha logo atrás e também colidiu no animal”, disse Valdênia.

Trauma para as crianças

 

 

A secretária explicou que esse será um difícil processo para a família e para as filhas que presenciaram o crime. Ela afirmou que seu marido sempre foi muito presente na criação das crianças, e que ela não acreditava que poderiam matar seu marido na frente de Ana Eloisa que tem 7 anos e de Maria Eloisa, tem 11 anos.

“É inexplicável a forma como aconteceu e como foi, pois eu até pensava que as minhas filhas eram escudo para meu esposo, então quando ele saia com elas, eu tinha um alívio, porque eu nunca pensei na maldade do ser humano, de pagar uma pessoa para matar na frente das filhas, ainda mais para umas meninas que tiveram um pai muito presente. Desde o dia [do assassinato] elas falam pouco. A mais nova tem uma reação melhor, pela pouca maturidade dela, mas sempre dizendo que o papai está melhor, porque elas viram o sofrimento desde o início, de tudo que aconteceu na nossa vida, desde o momento do acidente onde ele foi ameaçado no local após a colisão com a vaca. Elas sentiram bastante, pois o pai não tinha mais vida”, destacou.

Medo dos mandantes

A secretária disse que está acompanhando a investigação e que acredita que a polícia vai conseguir indiciar todos os envolvidos. O executor Juniel Assis foi preso no dia 15 de agosto e agora a polícia segue com investigação para os mandantes.

Ela disse ainda não saber, se após tudo que aconteceu, a família de Pedro Pereira vai parar a perseguição.

“O trabalho da polícia precisa ser mesmo técnico, precisa ser um trabalho que consiga chegar de fato a tudo o que aconteceu e eu estou respeitando muito. Estive ontem à tarde toda com eles e eu disse que acredito no trabalho da polícia e sei que farão o melhor para que a gente consiga a Justiça. Essa família talvez não tenha mais paz, porque de fato acabaram destruindo a nossa família, mas não vão destruir de certa forma, porque vou continuar o legado do meu esposo, de cuidar da nossa família. Pedir misericórdia para as pessoas, pois não sei se essa família vai parar por aí”, disse.


Bárbara Rodrigues
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