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Encontro, afetos e amizade para iluminar tempos sombrios: Aqueles Dois de Caio Fernando Abreu

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra...”.

“Eram dois moços bonitos também, todos achavam”.

“E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de “um deserto de almas”, para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem?”

 Assim, vai se tecendo as interações   de amizade  entre personagens  Raul e Saul no conto “Aqueles Dois” (Caio  Fernando Abreu). O texto integra livro  100 melhores contos da Literatura no século 20, do autor Italo Moriconi.  Nos laços de comunhão entre os dois protagonistas, dialogam e descobrem afinidades e  interesses que os aproximam:  música, cinema etc. Raul tinha violão e toca-disco; Saul tinha “livro com reproduções de Van Gogh”.

É possível observar na narrativa como outras personagens figurativa das máscaras sociais (sempre elas, no passado e presente) e representativas de uma pseudo moral, bons costumes e  ‘decência’ se apresentam com olhares, fuxicos, ressentimentos e inveja da amizade dos personagens. 

São criaturas de vidas mesquinhas, ressentidas, intoxicadas de desamor e q precisam infernizar a vida alheia – no estilo das vespas venenosas presentes hoje em setores da nossa sociedade que  vivem a destilar ódio, rancor, perseguição: vide as Damares  da Vida e outras espécies subterrâneas oriundas do mundo dos Tártaros  do Brasil atual e  suas fantasias perversas de impor um país sem alegria, sem afetos livres, sem dança, sem cinema, sem cores.

 Nam, o Brasil é mais. Redizendo poeta: o mar da história é agitado, as ameaças, as guerras, as hipocrisias, os obscurantismo havemos de atravessá-los.

Por Herbert Medeiros