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Diversidade

Diversidade e Resistência: lgbts movimentam a roda socioeconômica

Com as ascensão do bolsonarismo ao centro do poder, a  cena política e social do país assiste aterrorizada ao  desmonte das   políticas públicas construídas  ao longo dos últimos vinte anos para segmentos vulneráveis. No caso específico da população LGBTI+,  já sabíamos os reveses que nos aguardavam visto que Srº Jair Bolsonaro sempre destilou ao longo de sua carreira inverdades, preconceitos e discriminações contra a Diversidade Sexual.

O retrocesso  do governo Bolsonaro com a  pauta lgbt já estava presente mesmo na campanha eleitoral quando seu programa de governo simplesmente deletou menção aos nossos direitos. Era uma ação deliberada de varrer para debaixo do tapete da História  as monas, as sapas, as trans, as intersexes e outras diversidades.

E para assinalar o desejo de nos banir de direitos está expresso no 1º ato do presidente eleito ao editar Medida Provisória 870/19 para   excluir explicitamente lgbts da Política e Diretrizes destinadas à Promoção dos Direitos Humanos. O referido documento cita segmentos incluídos para ações da pasta do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos: mulheres, crianças e adolescentes, juventude, idoso, pessoas com deficiência, população negra, minorias étnicas e sociais e índios.

O ataque aos direitos também veio com extinção da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inlcusão (SECADI), vinculada ao MEC e responsável pela promoção de ações educacionais para equidade e Diversidades.

Mas é mister lembrar aos membros desse governo de extremadireita   que  encenações  para agradar eleitores/as convertidos ao manual fundamentalista não silenciará  nem apagará o protagonismo e a Re(X)istência que nós construímos ao longo do processo histórico para garantir vez e voz na cena pública.

 Força lbt: do entretenimento ao empreendedorismo

 Sim, protagonizamos espaços e movemos a economia brasileira em diversas arenas das atividades socioeconômicas do país.  Resultado de nossas capacidades e inserção ativa  na dinâmica dos  mercados, a  força do pink Money  impulsiona  a  poderosa  engrenagem econômica: soma 420 bilhões por ano no Brasil, segundo informações da Associação Internacional de Empresas, a Out Leadership.

O frenesi com a presença dos lgbts  faz a vida urbana cintilar  em diversas cenas das cidades:  Paradas do Orgulho, produção artística, lazer e entretenimento, moda, criação cultural e outros cenários    disseminados pelo país. É o   arco-iris irradiando  alegria e efervescência  pelas vias metropolitanas:   bares, hotéis, galerias, casas noturnar, cafés,  centros culturais, museus etc. 

Na economia do turismo lá também   estamos   tanto no consumo como na cadeia de produção de bens e serviços. De acordo com Associação Brasileira de Turismo para Gays, lésbicas e Simpatizantes, só lgbts movimentaram 150 bilhões de reais por ano no Brasil.

Mas para além do universo do consumo, lgbts dão vitalidade  ao mundo empresarial a partir de ações empreendedoras em diversos ramos: comandam negócios do mundo fashion;  dirigem empresas no setor de entretenimento como boates, bares, restaurantes; administram com criatividade e inovação   estabelecimentos artísticos e culturais voltados à diversidade sexual; comandam negócios nos ramos de Ciência e Tecnologia;

Politicas Inclusivas de respeito à Diversidade: ampliando a   sustentabilidade econômica

E por mais que alguns dirigentes públicos   no atual contexto brasileiro desejem retroceder nos trilhos da História, felizmente, tem-se sinais de ventos que sopram em direções mais plurais e inclusivas. Empresas como IBM, Facebook, Apple, Starbucks, Uber são referencias mundiais em ações de inclusão para lgbts nas equipes de trabalho e funções de chefia.

A constatação da potencialidade de lgbts na vida empresarial   é atestado por pesquisas feitas com empresários que reconhecem valores importantes quando possuem no seu quadro  profissionais diversificado, trazendo para a organização elementos  como criatividade, mente flexível e habilidades para assumir riscos.

Por outra lado,  muito ainda precisa ser feito por  setores da economia brasileira em conjunto com  ações dos Poderes Públicos Federal, Estaduais e Municipais para  deletar a lgbtfobia   dos preconceitos e discriminações institucionalizadas, favorecendo, assim,  promoção de  políticas de equidade que  assegurem acolhimento, respeito e valorização para tod@s.

Sem a concretização de políticas focadas para desenvolvimento sustentável no aspecto socioeconômico, ambiental e de valorização dos Direitos Humanos, nações estão condenadas ao atraso com indicadores vergonhosos no índice GINI (mensurador das Desigualdades Sociais) e no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH – avalia fatores como Educação, Longevidade e Produto Interno Bruto Per capita). 

Declaração do ex-presidente do Bando Mundial, Jim Yong Kim, ratifica como países reforçadores de práticas discriminatórias contra grupos vulneráveis produzem efeitos deletérios para civilização:  “excluir minorias sexuais não é só uma tragédia humana, mas também um custo econômico que as sociedades impõem para si mesmas”.

É para superar um discurso de exclusão e segregação social que nós lgbts vamos enfrentar tempos obscuros reafirmando: a gente não quer só comida/ a gente quer comida, diversão e arte/ a gente quer a vida como a vida quer”

Por Herbert Medeiros