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Economia

Pacote de crédito traz alívio, mas efeito será limitado, dizem analistas

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O pacote de R$ 83 bilhões em novas linhas de crédito anunciado pelo governo traz um certo alívio, sobretudo para empresas com dificuldades financeiras, mas seu efeito para estimular a economia será limitado, segundo especialistas, em razão da fraca demanda por novos financiamentos como também da necessidade de aprovação do Congresso para que todas as medidas saiam do papel.

O objetivo das 7 linhas de crédito, segundo anunciou o governo, é estimular o nível de atividade econômica e tentar evitar um impacto maior da recessão na taxa de desemprego – que vem crescendo nos últimos meses. As novas linhas são voltadas para setores como infraestrutura, habitação, agricultura, exportação e pequenas e médias empresas. Parte das medidas, entretanto, ainda depende de regulamentação ou aprovação do Congresso para entrar em vigor. 

As novas linhas são voltadas para setores como infraestrutura, habitação, agricultura, exportação e pequenas e médias empresas. Parte das medidas, entretanto, ainda depende de regulamentação ou aprovação do Congresso para entrar em vigor. 

Para o consumidor, foi anunciado a possibilidade de usar a verba do FGTS como garantia para crédito consignado. A novidade representa R$ 17 bilhões dos R$ 83 bilhões da elevação de crédito prevista pelo pacote, mas dependerá de aprovação do Congresso. "Algumas linhas dão um alívio momentâneo para quem está com a corda no pescoço, mas estão longe de resolver a situação. Não trazem nenhuma perspectiva de mais longo prazo", avalia Thais Marzola Zara, economista-chefe  da Rosenberg & Associados.

'Insuficiente'

“O pacote tenta apagar incêndio. Em termos de permitir uma estabilização da economia, uma interrupção da recessão, é insuficiente. Mas seria um exagero dizer que não muda nada, pois mitiga os riscos de uma depressão ainda profunda”, analisa João Moraes, economista da Tendências Consultoria Integrada.

Entre os efeitos positivos, ele destaca a reabertura da linha de capital de giro do BNDES para pequenas e médias empresas, setor que vem registrando aumento de inadimplência, e a posssibilidade de alguma recuperação do setor de indústrias de bens de capital com as linhas coltadas à exportação.

Demanda fraca

Os analistas concordam, no entanto, que o valor de R$ 83 bilhões previsto no pacote dificilmente será alcançado. E a razão é muito mais as incertezas e baixa confiança do que as dificuldades para fazer as medidas saírem do papel, segundo os economistas.

“Eu diria que é quase impossível, pois não existe esse potencial de demanda", diz Moraes. "As dificuldades para alcançar esse montante são, principalmente, por ausência de demanda. Para investimentos, para ampliação do consumo não há. O que existe é uma demanda para repactuação de dívidas de empresas com maiores dificuldades financeiras", completa.

Uso de recursos do FGTS como garantia

Para Thais Zara, o alcance do pacote será limitado, ainda que o governo consiga aprovar no Congresso a medida autorizando o uso do FGTS como garantia no crédito consignado.  "Precisa ver se vai ter, de fato demanda e como vai ser operacionalizado. Mas eu diria que para a pessoa física o maior efeito será a possibilidade de uma troca de uma dívida contraída no cartão de crédito ou no cheque especial pelo consignado", afirma.

O ministro Miguel Rossetto (Trabalho e Previdência Social) convocou para o dia 26 de fevereiro uma reunião extraordinária do Conselho Curador do FGTS para debater as medidas anunciadas no pacote. O uso do FGTS para garantir o crédito consignado, não é uma unanimidade, em razão do risco de elevar o endividamento das famílias.

 

Fonte: G1

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