Cidadeverde.com
Geral

Maioria dos feminicídios em Teresina são contra negras, aos domingos e em vias públicas

Imprimir

Foto: Arquivo/Cidadeverde.com 

Teresina contabiliza 145 mortes violentas de mulheres, sendo 51 em decorrência de feminicídio nos últimos sete anos e meio. A maioria desses crimes ocorreram em via pública, aos domingos e mulheres negras como principal alvo, é o que mostra o 2° boletim do Observatório Mulher Teresina (OMT) divulgado nesta sexta-feira (02). 

O estudo, realizado em parceria com o Núcleo de Estatística e Análise Criminal (NUCEAC) da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Piauí (SSPPI), revela que seis a cada dez mulheres assassinadas de forma violenta na capital. Considerado os casos de feminicídio, pretas e pardas correspondem a cerca de 70% das vítimas.

"A maioria das vítimas são mulheres negras. No que tange ao feminicídio, são mulheres negras adultas, na faixa etária de 30 a 34 anos. A maior parte das  vítimas letais eram solteiras, mas a maioria dos agressores, 50%,eram companheiros ou ex-companheiro", explica Gabriela Rodrigues, secretária municipal de políticas para mulheres. 

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Metade dos feminicídios ou outras mortes violentas intencionais em Teresina aconteceram com o uso de arma de fogo, principalmente contra mulheres negras, 66% das vítimas deste tipo de crime entre 2015 e o primeiro semestre de 2022. O uso de arma branca e de pedras para estes crimes só foram registrados contra pretas e pardas.

“A flexibilização do porte de arma nos deixa ainda mais vulneráveis, mas no que tange às mulheres negras os meios acabam sendo mais violentos e desfigurantes, por exemplo, arma branca e pedras só foram usados contra mulheres negras enquanto que enforcamento e espancamento contra mulheres brancas”, argumentou a secretária. 

Sobre o local dos feminicídios, o boletim constatou que 43% deles ocorreram em vias públicas. "Isso nos faz refletir se o agressor  não tem tanto acesso aos locais privados, por serem ex-companheiros, ou escancara a naturalização da violência como uma exposição, mostrando como nós mulheres somos vulneraveis", avalia a gestora pública. 

Outro dado que chama atenção é o fato de 58% dos feminicídios acontecem aos finais de semana, sobretudo aos sábados e domingos, e em períodos diurnos. Já as demais mortes violentas intencionais de mulheres concentraram-se durante a noite, nos dias úteis da semana (70%), sendo a quarta-feira o dia com mais casos (25%).

Fonte: OMT

De 2021 até o primeiro semestre de 2022, a zona Norte da capital piauiense foi a área que registrou o maior número de feminicídios (12) e mortes violentas de mulheres (08), seguido pela zona Sul , com quatro casos em cada um dos tipos de mortes. O recorte ajuda a identificar as regiões que demandam mais ações de prevenção.  

"Os feminicídios podem e devem ser evitados. Existem  diversos tipos de violência e muitas delas são naturalizadas, então às vezes a violência física é a última a ocorrer. Existem a violência psicológica, sexual, patrimonial e institucional que estão no dia a dia e acabam sendo naturalizadas", concluiu Gabriela Rodrigues.

As estatísticas foram apresentadas durante um seminário realizado na Universidade Federal do Piauí (UFPI). O evento ainda contou com dois painéis para discutir o cenário da violência contra as mulheres teresinenses e estratégias de prevenção e enfrentamento a triste realidade verificada pela pesquisa.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Breno Moreno
[email protected]

Imprimir