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Berry de Bee Movie – Parte II: soluções da ciência para problemas da apicultura no Piauí

  • protótipo_Giovanni.jpg Kridi, Carvalho & Gomes (2016)
  • esquema_Giovanni.jpg Kridi, Carvalho & Gomes (2016)
  • Equipamento_Giovanni.jpg Kridi, Carvalho & Gomes (2016)
  • Colmeias_Giovanni.jpg Kridi, Carvalho & Gomes (2016)

No post anterior falei sobre as tentativas e possibilidades em resolver a questão da fuga dos enxames encontradas por pesquisadores dos EUA que mapearam o zumbido das abelhas e detectaram um padrão diferenciado, uma espécie de zumbido específico para determinadas atividades o que pode permitir verificar quando as abelhas estão em processo de fuga de enxames, por exemplo.

Conversando com o pesquisador Dr. Carlos Giovanni Nunes de Carvalho, da Universidade Estadual do Piauí, verifiquei que já existem trabalhos desenvolvidos localmente para tentar resolver o mesmo problema com a espécie Apis melifera – a espécie de abelha que produz o nosso mel.

Em uma parceria com os pesquisadores da área de apicultura da EMBRAPA liderados pelo Dr. Bruno Souza e Dra. Fábia Pereira, Giovanni desenvolve um protótipo de avaliação das colmeias não levando em consideração o zumbido ou captação de imagens como no trabalho desenvolvido pelos pesquisadores norteamericanos, mas buscando encontrar um padrão de variação de umidade e temperatura das colmeias que sinalize momentos como a fuga das abelhas. Segundo o pesquisador a ideia dos norteamericanos é fabulosa, mas esbarra em dois problemas estruturais encontrados em áreas longínquas como o semiárido piauiense: a indisponibilidade do sinal de internet com qualidade para trafegar grande volume de dados e a indisponibilidade de energia elétrica para alimentar equipamentos de captura de dados, pois os dados precisam ser captados nos locais de produção do mel, normalmente afastados das cidades.

Entretanto, a alternativa encontrada pelos pesquisadores piauienses também é válida, uma vez que dados prévios da pesquisa apontaram para um comportamento das abelhas que pode ser verificado pela variação de temperatura e umidade nas colmeias. Na pesquisa daqui, ao invés de se buscar uma “assinatura sonora” através da captação do zumbido diferenciado das abelhas, busca-se uma “assinatura microclimática das colmeias”, pois estas duas variáveis – temperatura e umidade - ajudam na previsão do comportamento das abelhas. A pesquisa já demonstrou os primeiros resultados positivos, publicados em importantes periódicos como a revista científica da área de computação aplicada à agricultura Computers and Eletronics in Agriculture (a galeria de imagens deste post foi retirada do artigo publicado - Kridi, Carvalho & Gomes, 2016).

Mesmo com todo o sucesso, algumas soluções apontadas e os resultados com grande possibilidade de êxito a pesquisa esbarra em outro problema: o financiamento. Apesar de ser uma pesquisa de baixo custo a aquisição de equipamentos e insumos está limitada e o protótipo construído precisa ser replicado e espalhado para as diferentes áreas de produção de mel especialmente nas regiões de produção como Picos e Simplício Mendes. A falta de recursos para financiamento público, um dos mais graves problemas da ciência no Brasil atualmente, pode contar com uma força dos produtores, principais beneficiados com os resultados da mesma. Mesmo associações de pequenos produtores poderiam se cotizar para ajudar neste financiamento. O grande desafio é fazer com que estes produtores se convençam em apostar nas soluções encontradas pelos pesquisadores do Piauí.

Acho que o Berry até perdoaria os produtores de mel – exploradores do trabalho das abelhas – se um pouco de recursos financeiros fosse aplicado para que se pudesse entender porque as abelhas estão indo embora...