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Vídeo mostra ação de bandidos durante tiroteio em delegacia de Piracuruca

Um vídeo gravado por um morador de Piracuruca, do alto de um prédio próximo à delegacia da cidade, registrou o momento em que o bando formado por cerca de 10 homens chegou ao distrito policial e promoveu tiroteio na tarde dessa quinta (10). O grupo dispara vários tiros no local e assusta moradores. Policiais civis e militares feitos reféns relataram momentos de medo e humilhação. O grupo levou dinheiro do Banco do Brasil da cidade e todos estão foragidos. 

O policial civil Ivo Sousa conta que teve que jogar fora a sua arma, uma pistola ponto 40 e que socorreu o soldado baleado de raspão na testa por um dos bandidos. 

"Eu estava no telefone e fui surpreendido com gritos de 'não reage, não reage!', quando vi, eles estavam com o comandante da PM da cidade, já rendido. Eles entraram na recepção e ordenaram que não reagíssemos. Eles me mandaram jogar a arma fora, e eu me desfiz. Depois entraram no alojamento dos policiais, com muitos gritos. Um deles estava muito nervoso, gritando, mandando ninguém reagir. Um deles mais tranquilo estava controlando, dizendo 'para, cara, já está resolvido'. Eles me deixaram no chão com o escrivão, trouxeram dois PMs e levaram o escrivão e outro. Foi quando disseram que teve um tiro acidental, que tinha sido sem querer, aí eu encontrei o soldado baleado no corredor", relatou.  

O sargento da PM que foi feito refém e teve seu carro, um Siena, levado pelo grupo e depois abandonado e incendiado, conta que em 30 anos de PM nunca tinha imaginado viver uma situação tão humilhante. Ele disse que está bastante abalado psicologicamente. 

"Eles chegaram [à agência bancária] e desceram oito de um mesmo veículo, me pegaram e anunciaram o assalto. Depois me conduziram à delegacia, me deram muitas pancadas na cabeça e disseram 'nós vamos entrar, se alguem reagir, você é um homem morto'. Foi muita tortura, eles diziam 'se der algo errado, vocês vão morrer'. Ainda no banco, tinha um tão nervoso que deu um tiro na próprio colega dele. A gente pensa na fragilidade que é ser policial hoje, pensa na família. Eu estou aqui há 30 anos e nunca imaginei passar isso. Sei que é uma profissão de risco, mas foi muita humilhação. Estou com o psicológico abalado", declarou. 

Reforço no policiamento e buscas

O secretário de segurança, Fábio Abreu, assim como o comandante geral da Polícia Militar, coronel Carlos Augusto Gomes, destacaram que o policiamento será reforçado na cidade, por estar em uma localização de fácil acesso por grupos criminosos. 

"Vamos provicenciar a ida de um novo delegado e a chegada de mais uma vaitura. Está sendo feito um cerco na região dos veiculos abandonados. A perícia e a inteligência da polícia estiveram no lcoal e estamos fazendo barreiras para prender esse grupo. Sabemos que um deles foi acidentalmente atingido na perna e deve procurar um hospital da região", declarou o secretário.  

"Este ano vamos enviar mais 30 homens. Sabemos da fragilidade do policiamento. De Parnaíba pra lá é quase 1h para enviar reforços. Assim como de Luzilândia. Mas necessitamos de reforços. Vamos fazer isso este ano. Nós evitamos esses crimes quando não damos condições de reação. Eles não entram na cidade se tiver pelo menos 30 policiais com armas. Eles sabem que podem até fazer o roubo, mas depois não escapam", disse. 

 

Maria Romero
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