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IA ajuda técnicos de Basquete

Quem me conhece sabe a paixão que tenho pelo Basquetebol. Comecei a jogar aos treze anos e fui até aos vinte poucos anos. Atuei como jogador, árbitro, monitor de escolinhas e treinador. Mas o que fiz de melhor foi gostar de bater uma pelada com colegas e principalmente com meus filhos o que fizemos por anos seguidos aos finais de semana no Iate Clube.

O basquete foi um jogo criado para atender a uma finalidade muito simples: no inverno as atividades físicas ficavam complicadas nas regiões dos EUA onde o inverno é rigoroso. Um professor da Associação Cristã de Moços, chamado James Naismith resolveu adaptar cestos de coleta de uvas e criou este jogo com regras peculiares gerando um dos esportes mais praticados no mundo inteiro.

Os técnicos de Basquete, em geral, usam pequenas pranchetas onde conseguem demonstrar para seus atletas, durante a partida, jogadas e estratégias para defender sua cesta e chegar mais facilmente a cesta do adversário. Esta prancheta com o quadro tático pode mostrar qualquer coisa, menos fazer previsões sobre os movimentos dos adversários. Mas um programa de computador alimentado por Inteligência Artificial (IA) está prestes a mudar esta situação.

A tecnologia funciona com base em um banco de informações sobre os possíveis movimentos que os jogadores adversários fariam a partir dos movimentos orientados pelo treinador. No vídeo a seguir os pontos vermelhos apresentam a jogada do treinador ofensivo e os pontos azuis representam as reações dos jogadores da defesa, adversários, que se movimentam de forma predita pelo que em geral fariam com base nas reações mais comuns, acumuladas no banco de dados. O banco de dados com os movimentos dos jogadores da liga de basquete norte-americana, a NBA, é o que a IA usa para determinar a predição dos movimentos que se espera destes jogadores.

O programa de computador trabalha com o esboço destes movimentos acumulados em bancos de dados e combina as informações de jogadores de ataque e de defesa proporcionando simulações bem realistas. As pesquisas sobre isso serão apresentadas no próximo mês de outubro na Conferência Internacional sobre Multimídia da Association for Computing Machinery em Nice, França.

Em um futuro bem próximo as exigências de conhecimento trilharão pela capacidade dos profissionais resolverem problemas. A adoção da IA por um treinador de Basquete pode gerar uma reação em cadeia para os adversários inovem usando estratégias cada vez mais lapidadas o que lhes garantirá a sobrevivência no competitivo mundo dos esportes. Para quem nunca sonhou que o computador poderia influenciar tão fortemente em uma partida de basquete, pode ir começando a mudar sua opinião.

Boa semana para todos(as)

 

[Texto dedicado ao amigo Luiz Gomes de Sousa Neto, o Netinho. Netinho é leitor assíduo do Ciência Viva e foi o técnico de Basquete com quem aprendi a ganhar – fomos campeões piauienses infanto-juvenil invictos em 1982 pelo River Atlético Club – e a perder – fomos últimos colocados no campeonato piauiense juvenil em 1983 pelo Piauí Esporte Clube: “Porque a vida é feita de vitórias e derrotas”]