Cidadeverde.com

FMS nega sequelas neurológicas em crianças de até 7 anos que tiveram Zika

O neurologista da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Marcelo Vieira, informou que não há comprovação científica de que o Zika vírus cause sequelas neurológicas em crianças de até sete anos, que foram infectadas após o nascimento. O especialista demonstrou preocupação com a quantidade de informações equivocadas que vem circulando a respeito da epidemia, como em áudios que estão sendo passados em grupos do aplicativo Whatsapp.

"Juntaram essa informação dos áudios com as da encefalite e criaram essa salada, esse terror, de que o zika vírus pode causar encefalite. Isso foi um ‘florimento’ que quiseram fazer, pegaram as informações que são corretas e reais e por pânico ou maldade e começaram a espalhar nas redes essa teoria da conspiração pura", afirmou Marcelo Vieira.

De acordo com o neurologista, o vírus pode causar outras doenças encefálicas, que acometem o cérebro, mas as possibilidades são remotas. "O zika é um arbovírus primo da dengue, da febre amarela e febre tifóide, qualquer arbovírus tem o poder de causar encefalite, não somente a microcefalia, que nada mais é do que uma encefalite intra-uterina, só que em proporções bem pequenas", explicou Marcelo Vieira.

A epidemia
A Organização Mundial de Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde emitiram nesta terça-feira (1º) um alerta mundial sobre a epidemia de zika vírus. Segundo a OMS, somente neste ano foram confirmados casos de zika em nove países das Américas. Brasil, Chile - na ilha de Páscoa -, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela.

Microcefalia
O Ministério da Saúde confirmou, em novembro deste ano, a relação entre o zika vírus e o surto de microcefalia na Região Nordeste. A comprovação teve como base o resultado de exames realizados em um bebê nascido no Ceará. O resultado do Instituto Evandro Chagas identificou a presença do vírus em amostras de sangue e tecidos deste bebê. Segundo o instituto, o bebê apresentava microcefalia e outras malformações congênitas, e que acabou morrendo.

Até o dia 30 de novembro, o Piauí teve 36 casos notificados com suspeita de microcefalia, 7 em Teresina e 29 no interior.

O transmissor
Para diminuir os casos, as autoridades ligadas a saúde alertam para o combate ao mosquito transmissor, o Aedes aegypti, responsável pela transmissão de outras doenças como a Dengue e a febre do Chikungunya. 

O grupo Cidade Verde iniciou uma campanha para mostrar e informar à população que com medidas simples, as pessoas fazem sua parte e protegem suas famílias. Algumas das medidas que podem ser adotadas nesse combate são: Não jogar lixo em terrenos baldios, limpar as calhas com frequência, se for guardar pneus e garrafas, retirar toda água e mantê-los em locais cobertos, lacrar com sacos plásticos os vasos sanitários sem uso, encher os pratinhos ou vasos de planta com areia até a borda.

Lyza Freitas e Lucas Marreiros (Especial para o Cidadeverde.com)
redacao@cidadeverde.com

Governador adverte: "Nosso inimigo nº 1 nesse instante é o Aedes aegypti"

O governador Wellington Dias (PT) voltou nesta sexta-feira (4) a pedir a população para ajudar a erradicar o mosquito Aedes Aegypti. Para ele, é o “inimigo nº 1” neste momento de epidemia de microcefalia.

Transmitido pelo mesmo vetor da Dengue e Chikungunya, o mosquito Aedes aegypti, transmite o zika vírus, que estaria relacionado com a malformação de bebês.

Wellington Dias garantiu que o trabalho no Estado contra o mosquito está sendo feito em conjunto com o Ministério da Saúde.

“A prevenção é matar o mosquito. O nosso inimigo número um nesse instante é o mosquito Aedes Aegypti. Então, temos que trabalhar nos 224 municípios de forma bem forte”, disse Dias.

Os principais sintomas da Zika são febre intermitente, erupções na pele, coceira e dor muscular. Apesar das semelhanças, o zika vírus é muito menos agressivo que o vírus da dengue: não há registro de mortes relacionadas à doença. A evolução é benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente em um período de 3 até 7 dias.

Foto: Jorge Henrique Bastos

“Estamos trabalhando em primeiro lugar uma rede para cuidar das pessoas que foram picadas pelo Aedes aegypti e tiveram Zika e ampliar a rede para atender as gestantes e ao bebê para que haja um acompanhamento para uma assistência necessária”, ressaltou o governador. 

Microcefalia 

A microcefalia não é um agravo novo. Trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês  nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a  33 cm. Essa malformação congênita pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como substâncias químicas e agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com retardo mental, exceto nas de origem familiar, que podem ter o desenvolvimento cognitivo normal. O tipo e o nível de gravidade da sequela vão variar caso a caso. Tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e a qualidade de vida.

- Como é feito o diagnóstico?
Após o nascimento do recém-nascido, o primeiro exame físico é rotina nos berçários e deve ser feito em até 24 horas do nascimento. Este período é um dos principais momentos para se realizar busca ativa de possíveis anomalias congênitas. Por isso, é importante que os profissionais de saúde fiquem sensíveis para notificar os casos de microcefalia no registro da doença no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc).

Flash Yala Sena (Com informações do MS)
yalasena@cidadeverde.com

Neuropediatra alerta sobre graves sequelas deixadas pela microcefalia

A neuropediatra Juliana Pádua fez orientações e alertou para os danos deixados pela microcefalia, má formação congênica causada pelo zika vírus. Em entrevista ao Jornal do Piauí dessa sexta-feira (4), a médica esclareceu que os problemas causados serão permanentes e têm consequências graves para o desenvolvimento da criança, que precisará de acompanhamento por toda a vida. 

"As crianças com microcefalia não se desenvolvem bem, seja ela causada por algum problema infeccioso, como o zika, seja por abuso de álcool ou droga pela gestante. Tudo isso pode alterar o desenvolvimento cerebral, especialmente quando isso acontece até os quatro meses de gestação", declarou. 

Quanto à detecção precoce da má formação, Juliana destacou que é importante para que a família da criança se programe para os encaminhamentos especiais que a criança precisará. Ainda assim, ela alertou que a maioria das crianças com microcefalia não conseguirá andar, falar e poderá ter crises epilépticas. 

"Os primeiros ultrassons normalmente não detectam, somente entre 32 e 35 semanas de gestação. E isso não diminui as consequências da doença, mas indica cedo que a criança terá que ter encaminhamento e cuidado especificos, facilita para que tenha atendimento especializado. Com microcefalia, a grande maioria vai ter consequências graves de desenvolvimento, não vai conseguir sentar, não terá o sustento cefálico, não vai andar, algumas nem chegarão a fazer isso, 40% tem crises epilépticas, atrasos de linguagem e algumas não vão falar, as consequências são terriveis". 

A neuropediatra completa, destacando que a criança com a má formação precisará de sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e demais acompanhamentos de estimulação precoce, além de tratamento para as crises epilépticas. A família, muitas vezes, também precisará de suporte psicológico. 

Ela aconselhou que as mulheres grávidas - ou que estejam pensando em ter filhos - busquem acompanhamento independente dos riscos com o zika. Contudo, ela alertou que a epidemia do vírus deixa a gestação ainda mais susceptível.

"Cada mulher tem que saber os riscos que estão envolvidos em toda gravidez. Toda mulher, quando decide engravidar, sabe de riscos e cuidados, toda gestação existe risco por exemplo com a chance de ter rubéola, toxoplasmose, já tem que evitar algumas coisas. Agora vai ter que ter mais esse cuidado com mosquitos, focos de larvas [do Aedes aegypti]. Para as grávidas, sugiro o uso do repelente conforme orientação do obstetra e roupas que cubram mais o corpo", disse. 

 

Maria Romero
redacao@cidadeverde.com

TV Cidade Verde lança campanha de combate ao mosquito Aedes aegypti

O grupo Cidade Verde declara guerra contra um vilão perigoso que afeta a saúde pública no Brasil e no Piauí e que precisa urgentemente ser combatido por todos: o mosquito Aedes aegypti. 

A campanha quer mostrar e informar à população que com medidas simples, as pessoas fazem sua parte e protegem a sua família: não jogar lixo em terrenos baldios, limpar as calhas com frequência, se for guardar pneus e garrafas, retirar toda água e mante-los em locais cobertos, lacrar com sacos plásticos os vasos sanitários sem uso, encher os pratinhos ou vasos de planta com areia até a borda.

O mosquito é responsável pela transmissão de doenças como a Dengue, o Chikungunya, o Zika vírus, que está causando microcefalia em bebês. 

Proteja sua família e deixe de ser o alvo.

 

Compartilhe e mate o mosquito que mata!Ele já fez alguém que você conhece ficar internado ou até morrer. Ele gosta de gente. Não verifica a cor da pele, o endereço ou a idade.Agora, não respeita nem as grávidas e pode afetar para sempre a pessoa que elas mais amam: seus bebês.Sabe o que é pior? Ele pode estar agora em seu lar ou em seu trabalho. Até quando você vai colocar a culpa no vizinho ou imaginar que nada de ruim vai acontecer com você? Proteja sua família e deixe de ser o alvo.

Posted by Cidade Verde on Quinta, 3 de dezembro de 2015

==

Da Redação

redacao@cidadeverde.com

Jovens fazem mutirão de combate ao mosquito no Parque Lagoas do Norte

Membros do Clube de Desbravadores do bairro São Joaquim fizeram uma 'varredura' no Parque Lagoas do Norte para combater o Aedes aegypti. Os jovens recolheram sacos plásticos, pneus, garrafas, copos, tampas e outros objetos que acumulam água e servem de abrigo ao mosquito transmissor de várias doenças como o zika vírus, a dengue e a chikungunya.

"A proliferação do mosquito é bastante prejudicial à sociedade. Temos que prevenir de todas as formas, porque nossa saúde é nosso maior bem estar. O Clube de Desbravadores se disponibiliza para ajudar a sociedade, fazendo todos os tipos de prevenção para que o mosquito não possa prejudicar nossa saúde", disse um dos jovens, que já teve um familiar vítima do mosquito. 

Além deste mutirão, o Clube dos Desbravadores realiza ações pontuais na Zona Norte de Teresina, como por exemplo, com a distribuição de folhetos informativos. "É sempre bom conscientizar a população sobre o assunto, porque às vezes a pessoa acaba esquecendo dos cuidados que devem ter. Não devemos deixar água parada, pois o mosquito pode se proliferar até mesmo em uma tampinha de garrafa", disse outro jovem.

Em entrevista ao Notícia da Manhã, o Clube dos Desbravadores também convocou a população para também participar da ação. Todos os domingos, às 8h, o grupo de jovens se reúne na administração do Parque Lagoas do Norte com a missão de eliminar criadouros do mosquito. 

 

Microcefalia e o zika vírus

No mês de novembro, o Ministério da Saúde confirmou que existe relação entre o vírus zika e os casos de microcefalia na região Nordeste do país. Segundo nota divulgada pela pasta, exames feitos em um bebê nascido no Ceará com microcefalia e outras malformações congênitas revelaram a presença do vírus em amostras de sangue e tecidos.

O primeiro caso de morte por zika vírus no Brasil foi divulgado pelo IEC (Instituto Evandro Chagas), localizado no Pará, na última sexta-feira (27). A vítima morava no Estado do Maranhão e morreu no mês de junho deste ano. Dados do Ministério da Saúde indicam que 18 Estados brasileiros tiveram confirmação laboratorial de casos de zika vírus.

 

Graciane Sousa
gracianesousa@cidadeverde.com

Piauiense faz pouco caso do Aedes aegypti e epidemia pode aumentar, diz especialista

Fotos: Thiago Amaral/Cidade Verde

Depois que a Organização Mundial de Saúde confirmou a relação entre o Zika vírus e o nascimento de bebês com microcefalia, fala-se constantemente na importância de se combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a degue e a chikungunya. Em casos de evolução do vírus, podem ocorrer complicações neurológicas e até de doenças autoimunes. 

A gerente de epidemiologia da FMS, Amparo Salmito, alertou que o mundo todo está preocupado com esta situação, não só o Brasil. "Todo o mundo está voltado para resolver o problema, pesquisas estão sendo feitas, é uma guerra e temos todos que lutar”, destacou. Ela acrescentou que se fez pouco caso quanto à prevenção da proliferação do mosquito em anos anteriores, como em 2013 e 2014, quando ocorreram epidemias no Piauí. “Agora estamos pagando o preço disso”, lamenta.

A gerente destacou que há um risco elevado de contaminação da população porque além de o vírus estar demonstrando uma grande capacidade adaptativa de reprodução, é necessário investir em campanhas de prevenção e conscientização para que o mosquito não mais nasça. “Antes ele se dava bem em águas limpas, hoje ele consegue se reproduzir em qualquer ambiente e transmite os quatro sorotipos de dengue, a chikungunya e vetor de febre aftosa. Nos países desenvolvidos, nos Estados Unidos, por exemplo, há mosquitos, mas não há a doença, porque as pessoas são educadas desde cedo em relação a questão ambiental”.

Criadouros
Para Amparo, o maior criadouro no Piauí está ao redor das casas e a prevenção tem que começar pela erradicação desses criadouros, com a limpeza e a borrifação de inseticida para matar o mosquito, através do fumacê. Ela alerta que ainda podem haver epidemias muito maiores do que a de 2015. “A situação é extremamente preocupante e se não for tratada pode haver muito mais casos de microcefalia e até o desenvolvimento de outras doenças”, explicou. “Não é falta de informação, mas como já temos casos desde 1996, acho que a população meio que se acostumou com a situação, fazendo pouco caso, porque nós da Saúde, 365 dias estamos trabalhando para conter o mosquito, seja com limpeza, seja com borrifação, com 300 agentes trabalhando nas ruas”, completou Amparo.

Sintomas, transmissão e microcefalia
O tempo de incubação do vírus no ser humano varia entre 3 a 12 dias. A maioria dos pacientes com Zika se recupera de forma rápida, e a taxa de internação costuma ser muito biaxa, com sintomas como febre, dor de cabeça e no corpo, manchas avermelhadas, dores musculares e nas articulações. O período médio dos sintomas dura entre 4 e 7 dias, com efeitos amenos, mas a médio prazo, o problema é que depois de contrariar o vírus, gestantes podem passar o vírus para o feto, que durante a formação, pode afetar o desenvolvimento do cérebro e fazer com que o bebê apresente microcefalia.

Pesquisas
De acordo com reportagem do Jornal do Piauí, pesquisas recentes realizadas no Brasil, apontam que o Zika vírus pode contribuir para complicações de quadros clínicos e levar a morte. Não há vacina contra doença, apenas medidas para amenizar os sintomas.

Recomendações urgentes
A OMS faz uma recomendação para que haja uma mobilização da população na luta contra a proliferação do mosquito e para que, se possível, as pessoas possam adiar a gestação, pelo menos até que se conheça mais sobre a doença. A gerente da FMS atenta que "engravidar nesse momento é inoportuno" e que a medida mais sensata é não engravidar agora. Para as mulheres que estão grávidas, ela aconselha que redobrem os cuidados para não serem picadas pelo mosquito.

Sobre o vírus
“De início se imaginava que o Zika fosse o menos patogênico. O vírus penetra no organismo do adulto, da criança ou da gestante, e ele faz viremia. Se a mulher estiver naquele período em que é preciso ter mais cuidado, que o da organogênese, quando o feto está se formando, o cérebro está me formação, se a pessoa tem uma viremia no sangue, ele vai ficarem qualquer lugar no organismo e determina um processo inflamatório altamente patogênico que vai fazer uma má-formação do cérebro, a microcefalia”, explicou a gerente sobre como a má-formação acontece.

Ela disse que todo o mundo está voltado e pesquisando sobre essa situação que está acontecendo no Brasil e ainda que as epidemias que já ocorreram na Ásia e África não tinham essa particularidade. “Agora os trabalhos recentes já estão mostrando que na Plinésia Francesa, o Zika já estava determinando algumas alterações neurológicas, mas nada que se compare ao que está acontecendo no Brasil nesse momento". 

Lyza Freitas
redacao@cidadeverde.com

Posts anteriores