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E o futuro?

Dia desses escrevi aqui sobre STEAM como uma das saídas educacionais para o futuro, exatamente porque o mundo está mudando muito rápido e a educação precisa focar-se numa forma favorecer os estudantes que estão hoje na escola. Se quiser rever clique aqui. Mas porque devemos nos preocupar com isso? Porque será a escola do presente que formará as crianças do futuro, simples assim. E em um mundo em constante metamorfose não dá para “deixar as coisas como estão e pagar para ver”. Nem é possível prevê de fato o que vai acontecer. Isto é simplesmente impossível!

Se recuássemos no tempo alguns anos perceberíamos como o mundo dos negócios e o mundo do trabalho mudaram radicalmente. Há 22 anos uma das diversões das famílias com algum poder aquisitivo era alugar filmes. Lembro que na véspera dos feriados ia para locadora de fitas de vídeos e concedia aos meninos a escolha de títulos para ocupar parte do feriado. Saía com a mão repleta de filmes para entretenimento da família. Muito filme e muita pipoca. Neste período, se precisasse viajar tinha que recorrer a listas de hotéis das páginas amarelas do catálogo telefônico ou a indicações de amigos. E chegando em qualquer lugar e quisesse me deslocar sem depender do sistema público de transporte a saída seria fretar um táxi.

Listei três coisas que fazíamos há bem pouco tempo e que hoje são completamente diferentes. Praticamente não existem mais locadoras de vídeo em VHS, que em pouco tempo, foram substituídas por DVDs e estes só subsistem por romantismo de algumas pessoas. O Netflix, empresa surgida em 1997, foi uma das principais responsáveis por esta mudança de paradigma. Em outro ponto, as redes de hotéis tiveram que se adaptar aos novos tempos onde muito apelam para Air Bnb (empresa fundada em 2008), como uma das formas mais baratas e inteligentes de se hospedar, pois este aplicativo aluga desde imóveis completos, mobiliados, por um período curto, até a uma simples cama. Enquanto o Uber (empresa fundada em 2009) e outras empresas, concorrentes, similares, democratizaram e baratearam muito o sistema de transportar pessoas, gerando uma alternativa de ganhos para muitas motoristas, em todos os lugares do mundo.

Nestes três exemplos estou citando como o mundo mudou na perspectiva de três segmentos: locadoras de vídeos, hotéis e motoristas de taxi. Nos três exemplos estão aplicativos de base tecnológica, que começaram pequenos, por uma ideia de poucas pessoas, mas que se tornaram gigantes capazes de influenciar mudanças na cultura das pessoas e, principalmente, um redirecionamento dos gastos econômicos com as três necessidades. Mas a escola de 20 atrás estava prevendo estes tipos de ocupações, estas mudanças que estamos vivendo hoje? Com toda certeza que a resposta é NÃO. E o que virá pela frente?

No Brasil, o que vemos são instituições escolares se perguntarem a toda hora porque os resultados dos nossos estudantes são tão pífios nos exames que investigam a qualidade da educação no mundo, como é o caso do PISA. Mas a preocupação dos pais não é essa. A preocupação de quem tem filhos hoje é: o que meu filho vai ser quando crescer? Este mantra cantado na infância de todos nós, hoje, é uma pergunta que martela na cabeça de muitos pais. Algumas pessoas, inclusive, temem a paternidade/maternidade exatamente por esta dúvida mais que cruel: o medo do futuro.

As escolas precisam abrir os olhos para a Inovação. As mudanças do mundo só poderão ser acompanhadas se as crianças que estão na escola aprenderem a superar barreiras, a resolver problemas ou a inovar. São as palavras-chave para formação das pessoas para o futuro. Tudo o que se vê na escola de hoje é importante, sem qualquer dúvida. Mas a pergunta que não quer calar: será que tudo o que a criança vê na escola hoje é necessário?

As mudanças previstas para estruturação na organização da forma de ensinar, previstas pela legislação brasileira em curso, apontam nesta direção. A própria estruturação do Novo Ensino Médio traz como um dos componentes, para ser trabalhado transversalmente, o Empreendedorismo, por exemplo. Uma evolução em relação aos Parâmetros Curriculares Nacionais que há duas décadas já falavam em transversalidade. O mundo mudou e a educação precisa acompanhar tudo isso. Se isso não acontecer vem a pergunta que não quer calar: E o futuro?

Boa semana a todos(as)...