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Pai: a metade do todo

Foi num misto de susto, contentamento e de um “e agora o que é que eu vou fazer” que descobri que ia ser pai, no longínquo ano de 1987. Na minha cabeça, além da alegria de ter um filho, as preocupações inerentes da responsabilidade de gerar uma vida e colocá-la no mundo com o objetivo principal de que ia dar tudo certo.

Até hoje acho que foi um ato de coragem, assumir uma paternidade com menos de 20 anos de idade, mas me orgulho de jamais ter pensado em fugir da responsabilidade e de nunca ter passado pela minha cabeça sugerir o advento do aborto. Neste momento em que movimentos pró e contra o aborto se digladiam por ser favorável à legalização do processo na semana A ou na semana B, quando para mim, se não quer ou não pode ter um filho, existem n maneiras de se evitar. Sem qualquer intenção de entrar nesta polêmica.

Mas o post de hoje não é sobre o aborto. O post é sobre o ato de ser pai, e o quanto a ciência ajuda a explicar algumas coisas.

Em primeiro lugar é responsabilidade do pai a determinação do sexo do bebê. Na espécie humana (e em muitas outras espécies) existem dois cromossomos responsáveis pela tipagem sexual do bebê. As mulheres apresentam estes dois cromossomos muito parecidos (que no jargão genético são chamados de totalmente homólogos) e por isso diz-se que ela tem dois cromossomos X (XX). Os homens apresentam este par de cromossomos bem diferentes entre si (no genetiquês: parcialmente homólogos) e por isso chamados XY.

No momento da fecundação, tanto óvulo, quanto espermatozoide carregam apenas um destes cromossomos sexuais. Como os homens formam espermatozoides com cromossomo X ou com cromossomo Y, ele será o responsável pela determinação sexual. Em animais como as tartarugas marinhas, por exemplo, é a posição do ovo dentro do ninho que determina o sexo: ovos mais superficiais, recebem mais calor do sol, geram fêmeas. Os ovos que ficam mais no fundo do ninho, numa temperatura ligeiramente menor, geram machos.

A paternidade imprime obrigações muito interessantes. Ano passado, mostrei no post do dia dos pais (https://cidadeverde.com/cienciaviva/85884/no-mundo-animal-tambem-e-assim-nao-basta-ser-pai) os cuidados do cavalo-marinho e do peixe aruanã, que se dedicam a cuidar dos seus filhotes num afinco maternal (mesmo com todo amor dos pais, raramente, nós, os pais, conseguimos superar o amor da mãe!).

Entretanto, existem pais sui generis. É o caso do Pinguim Imperador (Aptenodytes forsteri). Ele é o responsável por aquecer o único ovo colocado pela fêmea durante todo o inverno antártico, num exemplo de altruísmo paterno, pois arrisca a vida para perpetuar sua linhagem através do desenvolvimento do filhote. O exemplo dos pinguins já foi inclusive tema para animações como Happy Feet (2006) e Happy Feet 2 (2011), que pode ser visto no trailer a seguir:

Neste domingo tire alguns minutos para lembrar e refletir sobre seu pai: presente ou ausente na sua vida, lembre-se que ele contribuiu com 50% da sua genética.

Feliz Dia dos Pais e uma ótima semana!

Até a próxima...

 

 

Contribuições ao Desenvolvimento do Piauí e do Brasil

Este é o título do livro de autoria do pesquisador piauiense Francisco Guedes Alcoforado Filho que será lançando no próximo dia 11 de agosto, sábado, às 10 h, na Academia Piauiense de Letras.

A obra está dividida em cinco partes. A primeira parte traz um apanhado amplo dos trabalhos publicados pelo pesquisador que, em sua trajetória na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) dedicou-se principalmente à cadeia produtiva do mel e ao conhecimento sobre a flora da Caatinga, tema do seu mestrado em Botânica pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

O segundo segmento do livro é dedicado às ações pelo desenvolvimento sustentável, especialmente na cidade de Oeiras, sua terra natal. Nesta parte se dedica a vários temas, passando por questões ambientais como a preservação do Riacho da Mocha até por questões relacionadas a arborização urbana da cidade e textos enfocando a questão cultural da Primeira Capital do Piauí.

A terceira parte do livro enfoca artigos relacionados ao Desenvolvimento Sustentável do Piauí, marcando principalmente as ações pessoais do autor voltadas para o desenvolvimento da pesquisa no Estado, como conta sobre os primeiros movimentos que levaram à criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí, entidade que ajudou a fundar e a qual, atualmente, a preside, bastante preocupado com os rumos da pesquisa e especialmente seu fomento no Estado. Importante destacar que esta parte do livro aborda muito sobre o desenvolvimento sustentado, não somente no Piauí, mas abrangendo aspectos típicos da região Nordeste do Brasil.

O quarto segmento aborda a sua participação como um articulador para o desenvolvimento e a sustentabilidade em nível nacional, mas com foco voltado especialmente para a abordagem da convivência com o semiárido. Ele me contou, inclusive, sobre a mudança de paradigma, na qual a ideia de combater a seca foi deixada de lado, para destacar a ideia de convivência com o semiárido, uma mudança conceitual e de abordagem que favorece a própria manutenção do homem às suas raízes e a minimização das agruras vividas pelo sertanejo. A quinta parte destaca aspectos da biografia do pesquisador, cuja contribuição para o Estado do Piauí tem se mostrado inequívoca.

Guedes tem sido um importante elo de ligação entre pesquisa / pesquisadores e a política do Governo Estadual voltada para o setor. Neste sentido, pelo menos na minha visão pessoal, é um batalhador incansável. Vale a pena conferir o lançamento deste compêndio de divulgação da trilha deste pesquisador.

Até o próximo post...

O dia em que a lua “tirou um fino” da Terra

Assista ao vídeo. O vídeo não é falso.

 

 

Na verdade, a lua continua a mesma distância da Terra. O vídeo na verdade é resultado de uma ilusão de óptica provocada pelo uso de uma lente telescópica. A filmagem foi feita na região do Vulcão Monte Teide nas Ilhas Canárias e foi feito no final do mês de maio próximo passado por Daniel Lopez.

Mais informações consulte a  matéria no endereço: https://hypescience.com/este-estranho-video-da-lua-descendo-sobre-a-terra-e-totalmente-real/

Até o próximo post...

Manifesto pela Ciência, Tecnologia, Educação e Democracia no Brasil

Durante a reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realizada na semana que passou, a Assembleia Geral da Sociedade aprovou um manifesto em favor das melhorias de condições para o desenvolvimento da Ciência no Brasil. A ideia do documento formal foi um meio encontrado pelos cientistas para comunicar a sociedade em geral a insatisfação de um segmento responsável pelas descobertas científicas em prol não apenas do povo brasileiro, mas da humanidade.

Segue o Manifesto na íntegra como aprovado na Assembleia Geral da SBPC ocorrida dia 26 de julho.

 

Manifesto da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

Em defesa da CT&I, da Educação, do Desenvolvimento Sustentável e da Democracia no País

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) congrega mais de 100.000 professores e pesquisadores afiliados a sociedades científicas, ligadas à SBPC, de todas as áreas do conhecimento: humanidades e ciências sociais aplicadas, ciências biológicas e da vida, ciências exatas e da terra, tecnológicas e engenharias.  A SBPC vem a público, novamente, externar sua forte preocupação com recentes acontecimentos que impactarão com certeza a frágil e jovem democracia do nosso país, conquistada por muitas lutas.  A autonomia entre os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – preconizada no nosso modelo republicano tem sido constantemente ameaçada e desrespeitada.

O povo brasileiro não aceita retrocessos e modelos autoritários. Nenhum indivíduo, grupo ou governo tem a prerrogativa de qualquer espécie ou natureza de ferir o Estado Democrático de Direito e desrespeitar a Constituição Federal.

Entendemos que o Estado Brasileiro necessita que as seguintes medidas sejam adotadas de forma urgente:

  1. Revogação da EC 95 de 2016 que instituiu o teto de gastos públicos, colocando em risco atividades essenciais e prioritárias para a soberania do país: Saúde, Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, além de impactar outras políticas sociais.
  • Na Saúde vivemos aumento na mortalidade infantil, de pacientes com câncer por falta de intervenção, e a volta de doenças erradicadas como sarampo e poliomielite, entre muitas outras.
  • Na Educação, o desmonte das políticas públicas voltadas para a inclusão de todos nas escolas tem aumentado a imensa desigualdade que ainda caracteriza a sociedade brasileira. De acordo com pesquisas recentes, o Brasil ocupa hoje os piores lugares nos rankings internacionais de educação – entre 140 países, ocupamos a 132º posição na qualidade da educação primária, ano base 2015. É papel do Estado manter a Educação básica e superior pública gratuita, de qualidade e com responsabilidade social.
  • Na inovação, o País caiu drasticamente, comprometendo o crescimento da economia e a competitividade nos setores produtivos (queda de 17 posições nos últimos 8 anos, ocupando a 64ª posição entre 126 países em 2018, de acordo com o Global Innovation Index);
  1. Interrupção do avançado processo de sucateamento de laboratórios, escolas, institutos de pesquisa, universidades, Institutos Federais de Ensino Superior (IFEs) e o não cerceamento da autonomia administrativa e da gestão financeira em função de normas de administração pública altamente burocratizadas. Adoção de políticas que impeçam a fuga de cérebros na área científica e tecnológica e a promoção de reajuste adequado das bolsas de ensino, pesquisa e extensão. Além disso, qualquer política de desenvolvimento em C&T deve vir acompanhada de uma análise profunda do contexto fiscal do País;
  2. Recriação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, além da recomposição do orçamento da pasta ao maior nível atingido na última década;
  3. Observância aos direitos humanos, com especial atenção ao aumento da violência, exemplificado em um quadro de explosão de homicídios dolosos – mais de 60 mil em 2016, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, aumento de 14% em 10 anos. Aumentou a letalidade da ação policial que recai desproporcionalmente sobre jovens negros de baixa renda, assim como aumentou a morte de policiais. É preciso interromper esta escalada que beira a guerra civil e buscar o fim da impunidade em todos os níveis.
  4. Garantia da liberdade de expressão, claramente explicitada no artigo 5 da Constituição Brasileira. Repúdio às posições do movimento intitulado “Escola Sem Partido”, que defende o ensinamento religioso em um Estado laico, que é garantido pela Constituição Brasileira de 1988, entre outros retrocessos. Somos contrários ao obscurantismo que cerceia a investigação científica com base em valores e crenças individuais. A pluralidade social, o respeito aos cidadãos e a defesa das minorias são o caminho para a paz social;
  5. No Plano Nacional de CT&I deve-se atingir em quatro anos a meta de investir 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em P&D. De acordo com o Painel da União Europeia sobre Políticas em Pesquisa, Inovação e Ciência de 2015, o investimento em pesquisa pública tem um retorno de 3 a 8 vezes o valor aplicado, sendo que a maioria das inovações não poderia ter sido desenvolvida sem a contribuição da pesquisa pública. De acordo com o relatório sobre políticas fiscais para inovação e crescimento econômico do Fundo Monetário Internacional, o apoio público é fundamental para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras: um aumento de 0,4% do PIB para pesquisa e desenvolvimento poderá levar a um crescimento adicional do PIB global de até 5% em 10 anos;
  6. Adotar medidas para que o Sistema de Comunicação no País não seja controlado por monopólios ou oligopólios, conforme prevê o art. 220 da Constituição Federal, assegurando a diversidade de conteúdos e linguagens;
  7. Realizar uma auditoria da dívida pública e a implantação de uma reforma tributária progressiva;
  8. Respeito às normas vigentes sobre o uso de agrotóxicos e as que protegem o meio ambiente e a demarcação de terras indígenas e quilombolas;
  9. Revisão das vendas irresponsáveis de patrimônio público, como dos ativos da Petrobras e da Embraer, que foi construído ao longo de décadas pela inteligência e pelo trabalho dos brasileiros, e que está sendo usado para pagar juros de dívida sem nenhuma discussão com a sociedade.

Assim, alertamos que está em curso um projeto acelerado de desconstrução do Brasil, que desrespeita o povo brasileiro e a soberania nacional. Os cortes e mudanças em áreas estratégicas para o País não foram discutidos com a sociedade, e estão sendo implementados por um governo que não tem a legitimidade do voto nem o apoio popular para fazê-los. As eleições de 2018, que devem ser livres e democráticas, desempenharão um papel crucial para a definição dos rumos do Brasil no século 21.

(com informações do Jornal da Ciência da SBPC)

 

A sanha humana contra a natureza

Das coisas simples com as quais nos deparamos. Cena: chega cedo na casa de praia o catador de caranguejos com seis “cordas” de caranguejo-uçá. Nas mãos vinte e poucos caranguejos muito pequenos, todos se movimentando, querendo se livrar das cordinhas que prendem seus esqueletos.

Conversa rapidamente sobre o preço: 36 reais. Na conversa disse que foi longe, nos mangues distantes do povoado (estávamos em Barra Grande) para conseguir achar aqueles caranguejos. Interpelo ele sobre o tamanho dos caranguejos. Ele é enfático: “tem gente que pega caranguejos sem se preocupar se são machos ou fêmeas, se estão com ovos ou não. Se está ou não na época de reprodução”. Sem muita cultura ele foi no cerne da questão: os caranguejos estão desaparecendo pela exploração descontrolada do recurso e mais: diminuindo de tamanho!

Ao longo do tempo, o homem tem feito uma seleção meio às avessas. Tem explorado recursos, especialmente recursos do mar, preocupado apenas com detalhes que permitam conciliar uma pseudoconservação dos recursos com interesses econômicos. Os livros de ecologia há muitos anos já trazem informações sobre a redução no tamanho dos peixes de diferentes espécies, pescados em diferentes regiões da Terra. Nos países escandinavos já é notória a redução gradativa dos peixes em função da redução das malhas das redes de pesca. As malhas, graduadas para pegar apenas peixes maiores e deixar livre os filhotes, também deixou livres os adultos com tamanho reduzido. Resultado: peixes pequenos produzem filhotes pequenos: lição básica da genética baseada em dados quantitativos. Resultado: uma gradativa redução dos fenótipos, ou seja, peixes cada vez menores.

Basicamente o homem está fazendo uma seleção às avessas e a natureza vai dando seu jeito: os grandes vão desaparecendo e aparece uma nova geração de indivíduos menores. A chegar um momento em que, de tão pequenos, não interessarão mais aos interesses humanos de natureza comercial.

É mais ou menos por aí que a natureza vai escapando do descontrole humano.

Até a próxima...

Educação finlandesa

É quase um consenso mundial que a educação da Finlândia é uma das mais desenvolvidas do mundo. Não à toa em alguns resultados do PISA (um exame internacional realizado por estudantes) os estudantes finlandeses terem figurado entre os primeiros do mundo.

A Finlândia também tem buscado mudanças no seu currículo da educação básica: está voltando atrás de tudo o que se faz mundo afora. Enquanto pegamos o conhecimento e separamos todo em “caixinhas” que chamamos de matérias ou disciplinas, os finlandeses fizeram o contrário: abriram as caixinhas e misturaram conteúdos, em uma experiência ímpar no mundo inteiro.

Recentemente a Revista Ibero-Americana de Estudos em Educação (RIAEE), publicada pela UNESP, lançou um número especial trazendo alguns trabalhos de uma experiência interessante, na área de formação continuada, vivida por professores brasileiros em duas universidades finlandesas. Um projeto chamado Teachers for the Future, proposto por meio de uma parceria entre o Ministério da Educação (MEC) do Brasil, Häme University of Applied Science (HAMK) e Tampere University of Applied Science (TAMK), as duas universidades da Finlândia envolvidas no processo.

O Dossiê Brasil - Finlândia: Educação para o Século XXI foi elaborado em parceria com as universidades finlandesas e está disponível no link: https://periodicos.fclar.unesp.br/iberoamericana/issue/view/677

O projeto contemplou 107 professores brasileiros. Iniciativas como essas, cercada por uma política pública que garantisse que resultados colhidos pudessem ser aplicados, poderiam mudar um pouco a cara da educação no nosso país.

 

Estudante piauiense vence Feira Internacional de Ciências

  • IMG_2084.JPG Francisco Soares

Existem muitas coisas das quais, nós piauienses, devemos nos orgulhar. Uma delas é a capacidade de nossos estudantes e seus incansáveis incentivadores: seus professores.

Um exemplo clássico disso é a Profª Silvana Orsano. Professora da rede pública estadual e da rede municipal de Campo Maior, a professora Silvana talvez seja a piauiense que mais já conquistou medalhas em feiras e exposições científicas pelo Brasil. Dona de uma incansável perspicácia e feeling para projetos de ciências, especialmente focados para área de saúde e meio ambiente, com potencial para vencer certames de divulgação científica, a Professora Silvana agora passou a conquistar o mundo com seus trabalhos.

No início do mês de Julho ela esteve em Antofagasta, Chile, com o estudante Léo Pereira, da Escola Municipal Briolanja Oliveira, da Rede Municipal de Campo Maior, participando da 9ª Expo-Ciências Latinoamericana ESI-AMLAT2018 organizada pela MILSET AMLAT (Movimiento Internacional para el Recreo Cientifico y Tecnico da América Latina).

Nos encontramos em um dos Shoppings de Teresina e ela me parou para contar que o desafio agora é muito maior: “Professor Soares com esta medalha nos credenciamos para participar de uma feira em Abu Dhabi!”.

O desafio é muito grande mesmo. A Professora Silvana corre atrás de patrocínio e especialmente de apoio do Governo ou da Prefeitura (a viagem para o Chile foi parcialmente patrocinada pela Prefeitura de Campo Maior) para reunir os recursos necessários para levar seus trabalhos. Há dois anos lutou muito para conseguir levar o trabalho e dois estudantes de Campo Maior para Bruxelas, Bélgica. Com muito empenho conseguiu sensibilizar o Governador que se esforçou para que eles pudessem participar do certame, e trazer mais uma honraria para escolas públicas do Piauí.

É importante dizer que exemplos com o talento como a da Professora Silvana e seus estudantes são muitos por diferentes regiões do Piauí. Poucos tem a perspicácia dela de tomar muitos “chás de cadeira”, muitos “não” e ainda assim lutar para levar o que temos de melhor para que o Brasil e o mundo conheçam.

Insisto: o que temos de melhor no Piauí são os piauienses.

Até a próxima...

Flagrante da vida real: macaquinhos usando ferramentas

Durante muito tempo a ciência só dava crédito ao ser humano como usuário de ferramentas para o desenvolvimento de suas atividades.

Há muito já se conhece a habilidade de determinados animais no uso de objetos adaptados como ferramentas: são aves que usam gravetos para espetar larvas e insetos, pássaros que tecem seus ninhos como se cosessem um tecido e tantos outros exemplos. Mas durante muito tempo a atribuição ao uso de ferramentas por primatas era absolutamente restrita aos seres humanos.

Em 2007 uma imagem captada pelo fotógrafo André Pessoa ganhou o mundo: um macaco-prego (Cebus libidinosus) usando uma pedra para quebrar amêndoas ou frutos, em algum lugar no município de Gilbués (PI). A imagem chamou a atenção de cientistas como a italiana Elisabetta Visalberghi e o brasileiro Eduardo Ottoni que publicaram artigos científicos sobre o flagrante uso de ferramentas nestes macaquinhos no periódico American Journal of Physical Antropology.

Mesmo depois de ter lido isso há mais de 10 anos fiquei surpreso com um flagrante que fiz, pessoalmente, em macaquinhos desta espécie aqui, no nosso Parque Zoobotânico. Sem nenhuma pretensão de deixar de ser botânico para ser etólogo (biólogos que estudam o comportamento animal) saquei o smartphone e fiz o flagrante. Acompanhe:

Acho que é o prêmio do dia na vida de um biólogo: flagrar coisas interessantes na natureza!

Até a próxima...

 

Ciência Viva faz aniversário!!!

Há um ano atrás eu inaugurava um novo meio de se falar sobre Ciência, Tecnologia, Educação e Meio Ambiente: em 14 de julho estreávamos com a primeira publicação no Blog Ciência Viva no Portal Cidade Verde.

Sempre gostei muito de conversar e escrever. Casado com uma jornalista e professor há mais de trinta anos, a ideia de escrever semanalmente sobre temas científicos me pareceu um dos grandes e inexoráveis desafios. Fiz desta tarefa mais uma nas minhas dezenas de atribuições.

O desenvolvimento de qualquer atividade passa, sobretudo, pelo apoio que se tem. E neste particular fui um privilegiado. Minha rede de contatos no meio científico me permitiu a obtenção de vários “furos” jornalísticos, sempre apoiados pelo Portal Cidade Verde, capitaneado pela jornalista Yala Sena e pelas jornalistas Jordana Cury e Caroline Oliveira, principalmente.

A ideia de divulgar para o público leitor do Blog sobre as pesquisas que se desenvolvem aqui no nosso Estado e de trazer para o cidadão comum o que se produz em termos de ciência nas diferentes partes do mundo, animaram minhas leituras avulsas de periódicos científicos como a Nature e a Science, dois veículos constantemente citados na coluna, além de periódicos nacionais que trazem temas relacionados às pesquisas em universidades brasileiras como a Pesquisa FAPESP e boletins diários ou semanais de grandes universidades e instituições de pesquisa.

O maior compromisso que tenho, no entanto, é com um grupo já considerável de leitores. Alunos, ex-alunos, colegas professores, amigos, parentes, enfim, já tem muita gente lendo o Ciência Viva. Alguns posts atingiram cifras consideráveis, ultrapassando 4 mil visualizações! O que é considerado muito bom para uma página que divulga material científico. O número de leitores já supera o número de dedos que tenho nas mãos!!!

O mais interessante disso tudo é saber que os textos do Ciência Viva já foram utilizados, inclusive, em materiais didáticos de escolas. Dia destes um colega me mandou por uma rede social a foto de uma prova de uma escola da zona norte de Teresina que usou a parte de um texto publicado em uma questão. É a prova cabal de que o que estamos fazendo está sendo útil. Outro dia uma colega professora universitária no Maranhão me disse que uns colegas discutiam um tema da área de Física com o texto impresso do Ciência Viva nas mãos. Isto para mim é o mais importante.

Seguimos com esta ideia de continuar informando a todos. O Ciência Viva continua sendo atualizado semanalmente, agora às quartas e domingos.

Um grande abraço e os meus sinceros agradecimentos aos leitores do Blog.

Vamos em frente e até o próximo post...

BNCC do Ensino Médio

A Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio está em fase de coleta de opiniões advindas de audiências públicas. Assim como aconteceu com a BNCC do Ensino Fundamental, foram estabelecidas audiências públicas nas cinco regiões do Brasil. Mas a situação agora está um pouquinho diferente da anterior.

Nas discussões anteriores que geraram o documento homologado pelo Ministro da Educação, pouca polêmica ocorreu e as audiências foram de certo modo esvaziadas. Na discussão da BNCC do Ensino Médio há a participação dos estudantes e suas entidades representativas, e muitos especialistas confrontam a ideia da Base comparando-a com os termos da Lei que aprovou a reforma do Ensino Médio (já até escrevemos sobre este tema. Veja: https://cidadeverde.com/cienciaviva/86223/reforma-do-ensino-medio). Pelo que li, há um descompasso entre as duas propostas que devem atuar de modo coordenado.

Para completar a celeuma, o Coordenador da BNCC, Prof. César Callegari deixou a função e fez severas críticas a este descompasso existente entre os moldes da BNCC e a reforma do Ensino Médio. Na minha opinião, já existia um grande problema com a Reforma do Ensino Médio que está prestes a deixar um número considerável de estudantes de fora de muita coisa (sem acesso a muito conhecimento e oportunidades). Com o descompasso em relação à Base, será muito difícil que estudantes de escolas públicas, especialmente de cidades pequenas, possam ter acesso a um processo de formação mais amplo, precarizando ainda mais o ensino público brasileiro.

Vamos observar as próximas movimentações sobre o tema. Na minha opinião, para fugir do fulcro ideológico atribuído à reforma e ao estabelecimento da Base, o correto seria entregar as discussões de volta para o Ministério da Educação e retomá-las apenas após a eleição de um novo Presidente da República, dando legitimidade às discussões. Entretanto, neste sentido, corre-se um risco muito grande, dependendo da alma que for eleita.

É aquela história: se correr o bicho pega e se ficar o destroço é feio...

Até o próximo post...

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