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Berry de Bee Movie: cadê a abelha que estava aqui?

Você já imaginou o mundo sem abelhas? Berry, personagem principal da animação Bee Movie deu a tônica do problema. Bee Movie conta a história de um movimento liderado pela abelha e sua amiga florista em favor das abelhas em um processo contra a humanidade que explora os serviços das abelhas – produtoras de mel. Da ficção para vida real, Bee Movie explicita um grave problema que afeta a produção de mel no planeta por conta do desaparecimento dos enxames de abelhas.

Este problema tem tirado o sono dos apicultores e ocorre em escala mundial. A poluição, o desmatamento, o plantio de plantas transgênicas, o uso excessivo de agrotóxicos e a desordem do colapso de colônias (DCC) têm sido apontadas como as possíveis causas para o desaparecimento das abelhas. Sem abelhas a polinização fica prejudicada e não há mel.

O Piauí é um dos maiores produtores e exportadores de mel de abelha do Brasil. Como se sabe o mel comercial é produzido principalmente pela espécie Apis melifera que faz o trabalho de coleta do néctar e do pólen de diferentes plantas em processo de floração e com suas secreções produz o mel que é exportado para diversos países da Europa, além de mercados extremamente exigentes, como o dos Estados Unidos. O desaparecimento de enxames também preocupa a apicultura piauiense.

Mas a pesquisa científica tem procurado soluções para este problema do desaparecimento dos enxames. Pesquisadores da Universidade Webster, em St.Louis, Estados Unidos, publicaram recentemente (07 de junho de 2017) na Revista Plos One que as abelhas tem uma espécie de assinatura na forma de zumbido.

Investigando duas espécies de abelhas do gênero Bombus (B. baldeatus e B. sylvicola) os pesquisadores compararam a emissão das frequências de ruídos as ações das abelhas, usando um sistema computacional desenvolvido para comparar ações perceptíveis visualmente com o ruído do zumbido (Sistema CASA - Computational Auditory Scene Analysis). Os resultados permitiram conhecer ações desenvolvidas pelas duas populações de abelhas projetando sua atividade de polinizador, diversidade funcional e serviços de polinização observados em escala de paisagem com o menor nível de interferência possível nas atividades do animal, permitindo-se à predição de ações com base nos zumbidos.

O estudo dos padrões de zumbido podem dar pistas importantes sobre o desaparecimento dos enxames de determinadas áreas. A pesquisa merece ser expandida para espécies que produzem o mel em escala comercial, como Apis melifera.

O artigo completo pode ser obtido no endereço: http://journals.plos.org/plosone/article/file?id=10.1371/journal.pone.0179273&type=printable.

Homo sapiens: espécie única?

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Talvez você já saiba que o homem (Homo sapiens) é uma espécie ímpar do gênero Homo. De acordo com os pesquisadores as espécies mais próximas, viventes, dos humanos são os macacos do gênero Pan (Chimpanzé e o Bonobo) e do gênero Gorilla (Gorila). Talvez até já tenha ouvido falar do homem de Neanderthal, que viveu na Europa por volta de 100 mil anos atrás e é considerado atualmente uma subespécie do nosso ancestral direto.

O que talvez você não sabe é que o ancestral do homem moderno viveu juntamente com outras cinco espécies há cerca de 30 mil anos, compartilhando a vida na Terra. Além do Homo sapiens sapiens (nosso ancestral), viveram em diferentes regiões da Terra o Homo sapiens neanderthalensis, o Homo erectus, Homo heidelbergensis, Homo floresiensis e o hominídeo de Denisova (ainda sem nome científico).

Em palestra recente ao canal do Ciência USP no YouTube, o paleoantropólogo mais importante do Brasil, Walter Neves, responsável por descobertas sobre os primeiros habitantes humanos no território brasileiro, autor do livro o Povo de Luzia, colocou claramente sobre a relação entre o nosso ancestral e estas outras espécies que conviveram contemporaneamente conosco, em diferentes lugares do planeta.

Algumas das descobertas reveladas por Neves são tão recentes que ainda carecem de mais investigação científica, como o hominídeo de Denisova, encontrado em uma caverna na Sibéria. Os dados levantados nas pesquisas ainda não permitiram a sua nominação científica.

Confira o vídeo em: https://www.youtube.com/watch?v=Vk2KZ0cEaTk&index=4&list=PLwA0zWYFcS_ioayC-txYlEeAutGLxhLp7

Quem escolhe quem: a fêmea ou o macho?

Dia destes conversava com meus alunos de Evolução quando abordei sobre a atratividade entre dois seres às vésperas da reprodução.

De imediato o assunto chama a atenção. Usando a palavra da moda disse: meninas empoderem-se! São vocês que mandam nos relacionamentos. De pronto, um aluno mais saidinho falou: “que nada professor, sou um grande conquistador!” Retruquei: você que pensa!

A seleção sexual no Reino Animal é quase totalmente comandada pelas fêmeas. Nos grupos inferiores de animais (evolutivamente falando, os popularmente chamados de invertebrados) a lógica é a da contribuição: as fêmeas produzem gametas maiores, e que sustentam o processo reprodutivo.

Nos grupos mais complexos, sob o ponto de vista da Evolução, como aves e mamíferos, o processo é requintadamente mais complexo, por envolver outras nuances, relacionadas a corte entre os casais. Você sabia, por exemplo, que os machos dos mamíferos são maiores que as fêmeas por causa da seleção sexual, sob responsabilidade das fêmeas? A ditadura feminina de sempre escolher machos capazes de executarem cuidados parentais (familiares), incluindo defesa para si e para prole foi determinante para existência de machos cada vez maiores. Como altura e peso são características quantitativas (mais centímetros, mais gramas), machos cada vez maiores selecionados geram proles cada vez maiores.

Assim, você rapaz que está namorando: valorize sua parceira. Afinal foi ela quem te escolheu, ainda que por uma questão de gentileza, ela pode admitir que você foi um grande conquistador. Saiba sempre: ela deixou ser conquistada!

Macho da Ave-fuzil-do-paraíso cortejando

Viva a Ciência!!! Ciência Viv@!!!

A atividade científica é uma das genialidades e criações do homem. Buscar o conhecimento e aplicá-lo em benefício da própria vida é um desafio da humanidade e um aspecto que nos personifica enquanto espécie diferente, no domínio do Planeta Terra.

Ciência vem de Scientia, que no latim quer dizer conhecimento. Até hoje, apenas a espécie humana é considerada capaz de produzir conhecimento. Só que este conhecimento nem sempre chega para todos, por não ser bem difundido ou compartilhado.

Passei mais de três décadas dedicando meu tempo para ensinar crianças e jovens de todas as idades um pouco da ciência de cada dia. Dos textos de sala de aula passei a dedicar parte do meu tempo em tentar esmiuçar o conhecimento para que ele pudesse chegar em todos os níveis e para todos os públicos, extrapolando as fronteiras das escolas e universidades. Veio a ideia de escrever para quem quisesse ler, usando para isso o universo digital. Junto com a ideia veio o convite da Jornalista Yala Sena, incentivada pela Jornalista Jordana Cury, para que eu pudesse fazer parte do time do Portal Cidade Verde, em uma experiência totalmente diferente.

Com a proposta de inaugurar um novo canal onde é possível ensinar, ainda que informalmente, falando sobre ciência, tecnologia, meio ambiente e educação, surgiu o blog Ciência Viva! Será, pois, uma nova forma de ensinar. A velha mania de ser professor que não me abandona. Viva a Ciência! Ciência Viv@!

Ciclo de Vida das “coisas”

Você já parou para observar quantas coisas adquirimos e que, passado algum tempo o objeto se degrada e precisamos substituí-lo? Você sabia que tudo que é produzido, usado e depois descartado tem um impacto contra a natureza? Você sabia que a ciência estuda este “comportamento” de durabilidade de tudo o que é produzido?

Tudo o que é produzido, seja um alimento, uma peça de vestuário, uma máquina, uma folha de papel, qualquer coisa, provoca um impacto ao meio ambiente. Na verdade, não somente um, mas vários impactos. Se se considerar um determinado objeto, o levantamento dos impactos parte desde a obtenção da matéria-prima, dos processos de elaboração, da energia consumida etc., etc., até chegar às informações relativas ao descarte deste objeto, quando o mesmo se tornar inservível. Ou seja: existem impactos em toda a extensão da cadeia produtiva, passando pelo uso do objeto, até sua destinação final.

Diante da necessidade de se mensurar o quanto de impacto está previsto para cada objeto, surgiu a Avaliação do Ciclo de Vida, ou simplesmente, ACV. Trata-se um processo que visa auxiliar nos processos fabris, otimizando os custos de produção e principalmente os impactos em relação ao meio ambiente. Este tipo de pesquisa tem sido desenvolvida por professores e estudantes de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA) da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

O pioneiro nesta pesquisa no PRODEMA da UFPI foi o Dr. José Machado Moita Neto que já concluiu duas orientações de Doutorado que, como parte de suas teses, enfocaram a avaliação do ciclo de vida. Foi o caso da Dra. Elaine Aparecida da Silva, que estudou os impactos do polietileno na indústria de plásticos, o que resultou na publicação de dois artigos científicos sobre o processo de reciclagem de polietileno e sobre o processo de produção de garrafas de polietileno nas indústrias do Piauí. O outro pesquisador formado pelo Dr. Moita foi o Prof. Jossivaldo Pacheco que estudou a produção da ração para frangos de corte. Estes dois estudos estão entre os pioneiros relacionados com a Avaliação de Ciclo de Vida de produtos que tomam parte da indústria piauiense.

A pesquisa em ACV ainda está no início por aqui, mas é importante se compreender sua necessidade, especialmente pelo crescente problema com o desperdício de materiais, o consumo de energia para diferentes processos fabris, os impactos na obtenção de matéria-prima e a destinação dos produtos quando se tornam inservíveis. No Piauí a pesquisa avança em vários sentidos.

Até o próximo post...

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