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Ciência Viva: uma forma diferente de ensinar chega ao centésimo post!

  • Ciência_Viva_2018.jpg Francisco Soares Santos Filho
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A atividade de escrita é muito prazerosa. Ainda mais quando você está escrevendo sobre temas que gosta. Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Educação são temáticas absolutamente fascinantes e, por isso, não tem sido tão complicado dar conta da minha mais nova atividade: a de blogueiro!

A ideia de escrever para o público é muito antiga. A ideia de escrever sobre Ciência surgiu de uma sugestão da jornalista Ana Flávia Soares, com quem divido minha vida, minha casa e meus filhos. A ideia do blog surgiu de uma conversa com a jornalista Jordana Cury, amiga e minha ex-aluna. O Ciência Viva surgiu de uma conversa com a jornalista Yala Sena, que adotou o desafio e aceitou a parceria.

O Ciência Viva estreou em 14 de julho de 2017 e de lá para cá foram exatamente 100 postagens, sempre três vezes por semana, atualizado às quartas, sextas e domingos, a partir das 10h da manhã. O objetivo maior: usar a rede mundial de computadores e a força jornalística do Portal Cidade Verde para ensinar de modo informal, para quem tiver a curiosidade de ler sobre diferentes assuntos, sempre nas temáticas citadas.

Mas o Ciência Viva também presta um serviço de valorizar os nossos maiores valores: o que os cientistas piauienses ou que vivem no Piauí estão fazendo. O que está sendo descoberto nas universidades, laboratórios e campos de experimentação que pode mudar nossas vidas, curar doenças ou simplesmente, matar nossa curiosidade.

Para quem escreve: o luxo de poder ler todos os dias, não somente sobre o que se estuda para ensinar (muito embora quase um terço dos posts tenham sido na área das ciências biológicas – VIDE GRÁFICOS NA GALERIA), mas sobre o que está acontecendo, mundo afora. Transpor didaticamente o conteúdo de pesquisas às vezes complexas ou de artigos publicados em revistas internacionais como a Science e a Nature, ajudam a dar ideias para aulas melhores na graduação e na pós-graduação das duas universidades em que trabalho. Sem dúvida uma forma diferente de ensinar. E de aprender...

Agradeço a todos os que estão acompanhando o Ciência Viva. Vocês não sabem o prazer que me proporcionam quando me dão o retorno de um post interessante, ou quando me avisam sobre algo que pode ser abordado no futuro ou mesmo compartilham nas suas redes sociais o link de algum post. É muito gratificante!

Resolvi dar esta parada hoje porque 100 não foi um número fácil de atingir. Mas, certamente, estes não serão os únicos 100 posts. Viva a Ciência! Ciência Viva!

Beija-flor: o pequeno milagre da natureza

A revista Science da semana que passou dedicou sua reportagem de capa ao Beija-Flor. Um estudo com título Morphology, muscle capacity, skill, and maneuvering ability in hummingbirds (Morfologia, capacidade muscular, habilidade e capacidade de manobra em beija-flores, em tradução livre do inglês) abrangeu o comportamento do voo de 25 espécies de beija-flores típicos das Américas do Sul e Central.

O beija-flor é uma ave conhecida por algumas particularidades do seu voo: é a única ave que consegue voar para trás e a única que consegue parar no ar enquanto voa. Estas particularidades são resultado de um conjunto de músculos e uma estrutura física bem particulares. Outra característica é que os beija-flores vivem no limite da sobrevivência: quando reiniciam as atividades em buscar do néctar no início da manhã dispõem de pouca energia para encontrar. Vivem no limite da energia disponível. Caso não encontrem uma fonte de néctar não conseguem sobreviver para o dia seguinte.

Atualmente são reconhecidas 337 espécies de beija-flores. São típicos do continente americano, não existindo em outros lugares. Se distribuem principalmente em ambientes tropicais e subtropicais.

Além do artigo, a Science produziu um vídeo que pode ser visto aqui:

 

Atualmente cerca de trinta espécies de beija-flor estão entre os animais com algum risco de extinção. A degradação destas espécies tão singelas de aves está relacionada à fragmentação de seus habitats, resultado do desmatamento e da derrubada das plantas que vivem em interação com estas aves (existem espécies de plantas que são polinizadas exclusivamente por determinadas espécies de beija-flores). A presença de beija-flor no seu jardim é um sinal de que o ambiente de sua casa é saudável ambientalmente.

A ignorância se espalha velozmente nas redes sociais

Com a epidemia de febre amarela em várias regiões do Brasil, uma questão tem se sobressaído: tem sido comum serem encontrados exemplares de macacos de diferentes espécies mortos ou feridos por populares que arremessam paus e pedras, sob a alegação dos macacos transmitirem para humanos a febre amarela.

Na verdade, o que se observa é a evidência da fragilidade do processo educativo do brasileiro. Jamais, em momento algum, doenças viróticas como febre amarela, dengue, malária, são transmitidas por um macaco, direto para o ser humano. Além do que se estuda na escola, dezenas de campanhas em todos os meios de comunicação evocam viroses, como a febre amarela, como transmitidas pelo intermédio de mosquitos transmissores.

Ao contrário do que o senso comum tem apontado, os macacos funcionam como um importante indicador, pois, se detectado que estão morrendo de febre amarela, significa que logo a doença acometerá humanos, pela presença, no ambiente, do inseto vetor.

A imprensa tem tido um papel importantíssimo para ajudar a desmistificar esta informação que, na contramão do que faz a imprensa, vem se mantendo como senso comum graças ao acesso às redes sociais. O uso das redes sociais, com a finalidade de propagar informações distorcidas e completamente distantes da verdade, já foi abordada no Ciência Viva (clique aqui), como uma preocupação, no caso do Movimento dos Terraplanistas.

O Ciência Viva está atento e incorpora na sua missão a atividade de desmistificar estes absurdos que são veiculados no universo da rede mundial de computadores.

Não morda seu celular!

Os aparelhos celulares são fruto de uma tecnologia que se aperfeiçoa diariamente. Atualmente um smartphone, por exemplo, pode ter uma quantidade enorme de usos, especialmente porque alguns aplicativos transformaram os celulares em aparelhos com usos muito além do que um simples aparelho de comunicação para fazer chamadas.

O site Tecmundo, por exemplo, já conseguiu listar pelo menos 30 objetos diferentes que tiveram o seu uso substituído pelo smartphone (Veja: https://www.tecmundo.com.br/celular/53023-30-coisas-que-seu-smartphone-ja-consegue-substituir.htm). Além destes, é possível, sem muito esforço descobrir outras formas de usar o seu aparelho.

Entretanto, jamais use o seu celular como um mordedor... Sim, um mordedor! Um cliente em uma loja chinesa mordeu o telefone e ele simplesmente explodiu... Veja o vídeo:

 

A explicação: quando há um contato entre os dois polos – cátodo (polo positivo) e o ânodo (polo negativo) nas baterias de lítio há uma reação exotérmica (que libera calor) de grande intensidade. O impacto é tão forte que o celular e sua bateria podem explodir, liberando um volume razoável de calor. Os fabricantes já trabalham com uma perspectiva de melhorar os isolamentos das baterias, atualmente separadas por compartimento de material plástico e, portanto, quebrável.

Na dúvida, procure algo menos ofensivo para morder...

Até o próximo post...

Argumentaê: um laboratório de experiências comunicacionais

As discussões sobre temáticas educacionais estão longe de se esgotar. As políticas públicas educacionais patinam em tentativas de melhorar a educação brasileira sem, no entanto, conseguir agregar uma experiência que contemple o principal problema.

Na minha opinião algumas ações podem ser consideradas positivas, como a tentativa de estabelecer uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e outras negativas, como a Reforma do Ensino Médio que criou itinerários formativos que, combinados às políticas de distribuição de recursos do Ministério da Educação, podem terminar por excluir grande parcela da população de almejar formação superior, detida em estudar para ingressar logo no Mercado de Trabalho, via itinerários de formação profissional.

O interessante de tudo é que existem pesquisadores que atuam visando facilitar o diálogo entre o saber e o estudante. Estes atalhos facilitam a conquista dos estudantes que se veem estimulados a tentar entender conteúdos considerados verdadeiros “bichos-papões” do conhecimento como a Matemática e as Ciências, por exemplo.

Neste sentido a pesquisadora piauiense Lea Veras e o grupo do Argumentaê Lab, fundado a partir de um projeto de pesquisa e desenvolvimento da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), se inserem, tentando trabalhar caminhos alternativos para que os professores alcancem os estudantes por outras vias como dinâmicas, brincadeiras e outras formas lúdicas de acessar temas considerados complicados de serem repassados pelas vias consideradas “normais”.

O Argumentaê Lab não se restringe apenas à comunicação vinculada à educação. A proposta é mais ampla. Na escola, a ideia é desenvolver a aprendizagem cooperativa, estimular debates, estabelecidos sob a premissa de se comunicar sempre. No âmbito mais geral, a proposta do Laboratório é desenvolver o assessoramento personalizado de quem precisa se comunicar na dinâmica de trabalhos convencionais como estimular investimentos ou vender um produto.

A ideia do Argumentaê Lab já ganhou certa notoriedade e Lea Veras já foi convidada para palestrar no TEDx[1] de São Carlos, disseminando as ideias sobre a comunicação, incluindo a educação como mote maior, especialmente para o Ensino de Ciências.

Lea Veras é engenheira química formada pelo Instituto Militar de Engenharia (IME/RJ) e tem doutorado em Química pela Carnegie Mellon University (CMU/EUA) e atualmente é professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).

 

[1] O TEDx é uma série de palestras elaboradas por uma instituição sem fins lucrativos criada nos EUA, a Fundação Sapling e que convida pesquisadores e formadores de opinião a “espalhar suas ideias”. TED significa Technology; Entertaiment; Design. O evento tem como tema “Ideas Worth Spreading”, traduzido para o português como “Ideias que merecem ser disseminadas”.

Lagostim mutante pode ser a chave para combate ao Câncer

  • lagostim3.jpg Imagens da Internet
  • lagostim2.jpg Imagens da Internet
  • Lagostim1.jpg Imagens da Internet

Todo mundo que estuda ecologia sabe que um dos maiores impactos contra o Meio Ambiente pode ser a introdução de uma nova espécie em um ambiente onde esta não ocorre naturalmente. O homem, entre os tantos prejuízos que causa a natureza, presta este contrasserviço também.

Em todo o mundo há registros de espécies introduzidas que causaram prejuízos consideráveis. Historicamente é bom não esquecer do caramujo africano Achatina fulica (uma imagem dele aparece na galeria de imagens deste post), introduzido para ser criado e comercializado como scargot que virou uma praga em várias regiões brasileiras, por exemplo. O exemplo da vez é o Lagostim marmoreado (Procambarus virginalis).

Este crustáceo é de água doce e já ocupa várias áreas da Europa e África. É uma espécie que se reproduz assexuadamente (não precisa de parceiro sexual para reproduzir). Todos os indivíduos são fêmeas e seus óvulos dão origem a indivíduos clonais. Trata-se de uma espécie que vive muito bem nos ambientes de água doce, se alimentando de folhas em putrefação, filhotes de peixes, insetos e pequenos moluscos.

O pesquisador Frank Lyko do Centro de Pesquisa do Câncer em Heidelberg, Alemanha, está estudando o genoma deste animal, para verificar quais são os genes responsáveis pelo sucesso reprodutivo na condição de assexuado. A descoberta de genes que respondam especificamente por estas características pode ajudar a explicar o processo de proliferação de células cancerosas.

Se quiser ver o artigo completo da Revista Science acesse:

http://www.sciencemag.org/news/2018/02/aquarium-accident-may-have-given-crayfish-dna-take-over-world

Dirigentes de entidades científicas escrevem carta ao Presidente da República

Os dirigentes máximos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (CONFAP), Conselho Nacional de Secretários Estaduais para assuntos de Ciência e Tecnologia (CONSECTI), Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) e o Fórum Nacional dos Secretários Municipais da Área de Ciência e Tecnologia assinaram uma carta direcionada ao Presidente da República, Michel Temer.

A carta reúne as preocupações sobre as consequências dos cortes orçamentários voltados para Ciência e Tecnologia no país. Para 2018 o orçamento previsto para custeio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) foi de cerca de 4,8 bilhões, 25% menor do que em 2017, que por sua vez foi cortado em 1/3, em relação a 2016.

De acordo com os signatários da carta a Ciência brasileira não resiste aos contingenciamentos impostos. A missiva encerra com uma frase que serve de reflexão para os políticos de uma forma geral: “Ciência não é gasto, é investimento!”.

Implantação do Rodoanel em Teresina se transforma em estudo acadêmico

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  • Rodoanel2.jpg José Maria Melo Filho
  • Rodoanel.jpg José Maria Melo Filho

A obra do Rodoanel que interliga a BR-316 a BR-343 na cidade de Teresina foi objeto de estudo do curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PRODEMA) da Universidade Federal do Piauí. O estudo foi conduzido pelo geógrafo José Maria Marques Melo Filho sob orientação do Dr. Antonio Cardoso Façanha do Departamento de Geografia da UFPI.

O estudo abordou os impactos sobre o Meio Ambiente e os impactos sociais de implantação da obra que, quando for inaugurada, será importante para mobilidade da Capital do Piauí. Na abordagem, os pesquisadores coletaram informações em documentos ambientais e em inquietações provocadas por detalhes do planejamento e da execução da obra.

Uma das grandes contribuições foi observar a degradação do ambiente durante diferentes fases da obra, comparando imagens de satélite de pontos específicos, como a construção de trechos da rodovia, edificação de ponte sobre o rio Poti e de alças de acesso, desde períodos anteriores à implantação da mesma até os dias atuais.

A investigação captou as impressões de moradores de três assentamentos do INCRA que foram entrecortados por trechos da obra. Analisando o discurso de alguns dos entrevistados foi possível reconhecer alguns impactos negativos frente à importância da obra. A obra causou impactos ainda não mitigados (compensados) pelos empreendedores, como o aterro de riacho, degradação de parte da mata e a ocupação de faixas produtivas dos terrenos do assentamento pela pista de rolamento.

A banca foi formada pelo Dr. Antonio Façanha (UFPI), pelo Dr. Jorge de Paula (UESPI) e por mim. A discussão de temas que atingem diretamente a cidade e seus cidadãos tem sido a tônica do PRODEMA, servindo para aproximar a comunidade científica da população através da solução de problemas que afetam a todos.

Novidade para diabéticos: lente de contato que detecta aumento da glicemia

Uma das coisas que atormenta a vida do diabético é o controle diário da glicemia. Atualmente existem no mercado uma porção de leitores eletrônicos que em poucos segundos detectam o nível de glicose na corrente sanguínea, a partir de uma gota de sangue coletada.

O inconveniente é ter que furar a pontinha do dedo, em alguns casos várias vezes por dia. Mas cientistas da Coreia do Sul podem lançar dentro em breve uma lente de contato para fazer este trabalho.

Publicado mês passado na Science Advances o trabalho traz testes feitos em animais (usaram coelhos), utilizando lentes de contato com sensores capazes de avaliar a composição da lágrima e, consequentemente, detectar o nível de glicose no sangue. A ideia é interligar as informações captadas pela lente de contato em um sistema de comunicação que informe ao paciente o quanto precisa atuar para o controle do volume de glicose no sangue. Isso tudo sem ter que furar o dedo!

Assista o vídeo sobre a lente (em inglês):

 

O Diabetes atinge cerca de 500 milhões de pacientes no mundo inteiro e é considerada uma epidemia global.

Calendário Astronômico de 2018

Anote na sua agenda e acompanhe os principais eventos astronômicos que ocorrerão em 2018.

2 de janeiro - Primeira lua cheia do ano

3,4 de janeiro – Chuva de meteoros Quadradídeos

31 de janeiro – Lua cheia, Superlua, Lua Azul, Eclipse total lunar

15 de fevereiro – Eclipse parcial do sol

15 de março – Mercúrio no maior alongamento oriental

22, 23 de abril - Chuva de meteoros Lirídeos

6, 7 de maio – Chuva de meteoros Eta Aquarídeos

9 de maio – Maior proximidade de Júpiter com a Terra

21 de junho – Solstício de junho e o dia mais longo do ano

27 de junho – Maior proximidade de Saturno com a Terra

13 de julho – Eclipse parcial do sol visível no sul da Austrália e Antártida

27 de julho – Eclipse total da Lua visível na maior parte do Mundo

27 de julho – Maior proximidade de Marte com a Terra

28, 29 de julho – Chuva de meteoros Delta Aquarídeos

11 de agosto – Eclipse parcial do sol visível na maior parte do mundo

12, 13 de agosto – Chuva de meteoros Perseídeos

17 de agosto – Vênus no maior alongamento oriental

7 de setembro – Maior proximidade de Netuno com a Terra

8 de outubro – Chuva de meteoros Draconídeos

21, 22 de outubro – Chuva de meteoros Orionídeos

23 de outubro - Maior proximidade de Urano com a Terra

5, 6 de novembro – Chuva de meteoros Taurídeos

17, 18 de novembro - Chuva de meteoros Leonídeos

13, 14 de dezembro - Chuva de meteoros Geminídeos

21 de dezembro - Solstício de dezembro e a noite mais longa do ano

21, 22 de dezembro - Chuva de meteoros Ursídeos

 

Acompanhe o vídeo com uma amostra destes eventos filmados em anos anteriores e torça para fazer uma noite adequada para observação destes fenômenos:

 

 

 

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